A CHEGADA DA TITIA ANTONIA


Depois de alguns meses, o Jair foi transferido novamente, agora para Campinas, eu estava chegando perto de Indaiatuba, perto de Mamãe, a Jimena voltou a morar conosco, agora formada e trabalhando no Itaú.            
Passamos mais um ano. Graças a Deus o Jair aposentou-se, minha vida eu cada vez mais parada, ficamos morando ainda em Campinas certo tempo.            
Voltamos para Indaiatuba de novo, Edélcio alugou uma casa, e mamãe voltou a ficar comigo, a Jimena também.            
O Jair comprou um apartamento em construção, eu sempre contra, não gosto de apto. porque gosto de ter animais. Depois de um tempo estava ficando difícil, arrumou um sócio quando ficou pronto, venderam e dividiram a grana. Compramos outra Casa, nessa casa ficamos nove anos.          
Nesses anos, além de Mamãe eu trouxe tia Antônia para morar conosco.
Lembram da tia Antonia que quando eu era pequena nos ajudou? Eu tinha que abrir a mão, como um dia ela fez. Abriu sua mão e nos acolheu.             
Titia morou algum tempo, quando se casou lá na Padaria Guarani em São Roque, na época também meus pais moravam lá, sempre se deram muito bem ela e mamãe. Ela criou dois sobrinhos, mas os dois já tinham falecidos, estava sozinha e idosa precisava de cuidados, dependia de alguém que lhe desse banho, vestir etc. Assim eu a trouxe.           
Ficou muito Feliz e eu também, eu tinha e tenho muito estima por ela.            
Como Já falei, elas sempre se deram bem, mas aqui em casa tive dias difíceis, titia estava muito carente, mamãe gostava muito dela, mas começou ficar enciumada.           
O tempo ia passando eu trabalhava muito, mas gostava de cuidar das duas, se achava uma moeda não podia falar, se falasse, de quem é esta moeda? –as duas responderiam juntas;        
- É minha!
 Se fossem roupas, embora tivessem corpos diferentes, a peça era das duas.           
Titia Antonia começou a perceber ciúmes e muito particular ela me dizia;         
- A Ina (Ina era o apelido de mamãe, seu nome era Adélia) pensa que eu vou pegar o lugar dela, eu não quero isso.              
Mamãe andava de bengala e a titia andava de andador, quando se desentendiam, a titia dizia;           
- Qualquer hora eu meto o andador na sua cabeça!           
-Enquanto você levanta o andador, já levou uma bengalada na cabeça!             
Em um ano eu já estava cansada.             
Fui para S. Paulo, trocar ideias com as minhas primas, Hele Nice e Marilene, porque antes da tia vir para casa, ela ficou um tempo na casa da delas.            
Falei também com o meu irmão, aquele que era bravo, já há muito tempo ele deixou de ser bravo quando preciso de alguma coisa ajuda, digo para ele e sempre me atendeu, foi e é muito prestativo mesmo mamãe estando comigo eu o agradeço muito. Ele e as primas fizeram uma vaquinha, para colocarmos a tia em casa de Idosos, era só por alguns meses  para eu descansar um pouco.
Antes eu a levei conhecer o lugar, ela gostou achou tudo limpo, assim foi eu ia todos os dias para distraí-la, até que um dia á proprietária me disse;
- Jacyra a dona Antonia esta brigando muito com outra Idosa. Porque ela tem uma boneca.
Eu comprei uma boneca muito bonita, só que não andava e nem falava.
No outro dia quando cheguei eu disse;
-Tia Antonia eu trouxe um enfeite para a senhora enfeitar sua cama, e dei a ela.
Ficou tão Feliz! E com a boneca nas mãos, ela disse;           
-Que Linda! Você será minha filha,  eu te batizo com o nome de Carmem!            
No dia seguinte eu avisei a gerente que no dia sete eu levaria titia para casa, ela ficou 4 ou 5 meses.             
Durante esse tempo todos os dias eu falava com mamãe, que titia iria voltar, para ela ter paciência com a tia, ela precisava da nossa ajuda e mamãe dizia;          
-Você tem razão, mas ela é muito manhosa.
 Mamãe não entendia, que nem todas as pessoa  tem a mesma Saúde.
 Por incrível que pareça um dia anterior ao dia da saída, foram levantar do sofá, mas ela escorregou e caiu sentada no próprio sofá em que ela estava sentada, só o choque de sentar rápido quebrou o fêmur e o braço. Ficou uns dias medicada, até fazer os exames, já estava com 92 anos.             
Quando eu lá chegava, ela estava toda animada com a Carmem e disse;           
-Jacyra á Carmem esta muito Peralta , fica pulando de cama em cama, ontem foi demais, eu falava para ela:        
-Fala Mamãe.      
-Eu já disse, fala Mamãe.          
-E ela falou Jacyra, falou Mamãe para mim....            
A ambulância veio busca- la eu fui junto, foram feitos os exames, ela passou pela cirurgia do fêmur, passava bem tiveram que esperar a recuperação para operar o Braço.            
Quando eu chegava, ficava aflita de ver aquele braço preto, eu dizia;          
-Tia Antonia a senhora tem dor no Braço;
- Não, não tenho, não dói nada.             
Só por Deus mesmo, isso era receber uma Graça.             
Eu ia todos os dias servir almoço e também  servir o jantar, e  dizia para Mamãe que ia ver titia, ela tinha que ficar quietinha;                                                           
 - Sei minha filha, pode ir sossegada, agora vou tirar um soninho, assim eu ia, e quando lá chegava as enfermeiras eram muito atenciosas, me diziam;           
- Se a senhora não poder vir, nós mesmo daremos as refeições para ela, sabemos que a senhora tem outra Idosa.          
-Obrigada, mas ela fica feliz quando chego, é a única coisa que posso fazer.          
Á tia Antonia era muito fraquinha, tinha Osteoporose no Corpo todo, quando ficou em S.Paulo, um dia foram acorda-la para o café, e a Marilene assistiu, que quando ela ficou em pé quebrou o Fêmur, lá foi operada e quando melhorou eu a trouxe.         
Enquanto ela estava em casa, antes de ir para a casa do idoso foi bem no começo, me chamou dizendo que estava com sede.        
-Momento tia, vou  buscar água.
Quando cheguei estava sentando na cama, e começou gritar, eu não sabia o que fazer  liguei para o médico que a cuidava ele disse para chamar a ambulância , que talvez fosse uma fratura não sei como foi, mas quem chegou rápido foram os bombeiros, foram muitos decididos, a colocaram em uma maca, foi muito difíciL  para sair do quarto, a levaram para o Hospital Oliveira Camargo, tirou radiografia,  tinha fraturado uma vértebra , com remédios melhorou e voltou para casa.
Agora novamente , estamos no mesmo hospital. Um dia quando lá cheguei, ela me contou que o Miguel tinha estado  no quarto fazendo uma visita, estava muito feliz, eu disse;         
- Como esta ele?         
- Esta bem bonitão e engordou.           
- Que bom tia, que ele veio estou feliz, em saber que ele esta bem, (só que ele já era falecido)           
Quando eu levava as duas no salão, era uma festa, para elas e para a turma do salão, Mamãe já estava acostumada, mas titia se sentia importante e dizia;        
 - Olhe Jacyra que lindas estão minhas unhas!            
O cabelo eu ainda cortava, mas as unhas eu só fazia retoque, tinha medo de machucar, mamãe tinha muitas varizes nos pés, titia não tinha varizes, mas tinha que ser tudo igual.             
Depois de mais ou menos um mês não me recordo, fui cedinho ver titia  era dia da minha diarista Benedita, que vinha dois dias por semana, já sabia como era o meu dia, esse dia veio mais cedo.          
Quando lá cheguei, tia Antonia estava ligada no oxigênio, eu me assustei! Ela estava bem, mas nesse dia tinha uma senhora na outra cama, ( desde que a tia foi internada  esteve só no quarto), peguei sua mão esquerda, beije-lhe a testa e disse:      
- Bom dia Tia Antonia cheguei a senhora está bem?           
Eu só via as bolinhas subindo, sinal que respirava, perguntei a senhora do lado.              
- Que aconteceu? Ela estava bem, tão boazinha, agora que ia marcar a cirurgia do braço.
Ela disse:      
- Eu entrei ontem á noite, de fato ela estava bem, conversamos bastante a noite, ela falou de uma sobrinha que cuidava dela, Graças a Deus muito boa, cuidadosa, tenho muito afeto e carinho por ela, desfruto de coisas que nunca desfrutei, essa sobrinha chama-se Jacyra, a senhora conhece?          
-Sim sou eu. ...         
Ali ouvindo essas palavras de despedidas e agradecimento, eu virei o rosto para titia, e não subia as bolinhas.         
Chamei rápido a enfermeira, pois sua porta era a seguinte do quarto.         
Chegou, examinou, pegou um biombo, separou-a de mim, não falava nada, eu já estava chorando e imaginando em pensar o que estava acontecendo.        
A Querida Tia Antonia tinha partido...       
Fez da nova pessoa do quarto, á interprete da sua despedida.


Comentários

  1. Olá! Jacira, vc foi muito mais q uma mulher, foi doadora, amou e acolheu sua tia e sua mae😘😘😘😘

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Agradeço suas amáveis palavras, espero que continue acompanhando minhas histórias, bjo

      Excluir
  2. Que história linda. São poucas as pessoas que tem um coração bom, e você é uma delas.

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Obrigada, logo terei outras histórias para contar. Até sexta-feira, bjo

      Excluir
  3. Quanto amor!! Me emocionei muito!! Parabéns!! Tia Antônia deve estar orgulhosa e feliz por ter um texto lindo como este dedicado a ela!! Ansiosa por mais postagens!! Bjs amiga!

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Muito obrigada mais uma vez e aguarde que novas histórias virão, bjs

      Excluir
  4. Você é essa pessoa linda por dentro e por fora... que bom poder conhecer um pouco mais de sua vida. Contuminua a relatar suas aventuras vividas... amei.

    ResponderExcluir
  5. Que bom ! Muito obrigado pelas suas palavras, espero que continue acompanhando os textos que virão, bjs

    ResponderExcluir
  6. Você me deixou uma palavra, mas quer dizer muito....
    Obrigado. Bjs

    ResponderExcluir
  7. Adorei as suas lembranças e como foi bom saber mais da tia Ina...quanta saudade, ela era tão bonita e vaidosa...não lembro da tia Antônia, quem era?

    ResponderExcluir

Postar um comentário