Navegando me voltam as Lembranças.
Quantas vezes, durante esses anos de namoro quando o Jair vinha
namorar, a rua estava com enchente, lá passava aliás ainda passa o Rio
Carambei, quando chovia muito, o tanque que
era água represada pela Brasital enchia e abriam as comportas e lá vinha mais
água.
O Rio Carambeí corta a Avenida Tiradentes, quando enchia e o Jair
chegava, sempre tinham pessoas ali olhando era aquela brincadeira. Ele levava
na esportiva, tirava os sapatos, as
meias dobrava a calça e ia para minha
casa que era logo ali. Assim muitos sábados deixamos de ir ao cinema, depois
que a água abaixava eu ia ajudar os vizinhos, Virgilina e a Mãe, Nha Savatina e
Senhor Chiquinho, Dona Alzira e Senhor Irineu e Dona Zulmira que era idosa e vivia sozinha.
Pessoas que já partiram, super humildes; trago em meu peito muitas
saudades das suas simplicidade e bondade no coração, Senhor Chiquinho e nha
Savatina eram demais, estavam sempre sorrindo, alegres, muito alegres. O Sr Chiquinho
ia todos os domingos à Missa das 8 horas, ela ficava na janela da porta esperando-o,
quando voltava vinha todo alegre com um filão embrulhado debaixo do braço, e
nas mãos uma garrafa de Tubaína, eu dizia:
- Oba, hoje vou uma tomar Tubaina, ele sorria e respondia:
- Então tem que ser já, por que o pão e refrigerante tem que dar
até a próxima semana.
Ríamos... eu lhes desejava uma boa semana, e os dois entravam
porque ela já o esperava. Na sua humildade
eram muito Felizes.
Em casa, poucas vezes entrou água eu ficava atenta , colocava uma
pedra na rua onde a água estava chegando em 5 minutos, eu observava se a água
chegou na pedra, eu pegava duas tábuas, uma eu pregava no batente lado de fora
e outra do lado de dentro, e no meio eu colocava areia, a água nunca chegou
passar as tábuas.
Na Avenida Tiradentes, o terreno era inclinado, uma Ladeira,
conforme descia a água ficava mais alta, ás vezes tinha que amarrar corda para
auxiliar as pessoas.
A enchente passou, agora ajudar na limpeza. Assim era, tirar a
lama, outro joga água, novamente água com sabão não faltava pessoas para
ajudar, praticamente era um mutirão, tinha varias casas e todos eram Idosos,
muitas vezes apareciam cobras e aí vinham me chamar, porque eu fazia uma
simpatia que tinha de dar um nó na saia ou no avental era impressionante, a
cobra fica parada como se estivesse hipnotizada, se fosse cobra d água eu
soltava se era venenosa, tio Silvio tinha um aparelho só para cobras, então
laçava colocava em uma caixa e alguém levava para o Butantã.
O tempo passava, não era todos os nos que acontecia enchente, era
um ano ou outro, os vizinhos já faleceram eu continuo aqui, mas com saudades
dos velhos tempos.....
Como é bom fazer o bem!! Sem olhar a quem!! Já tinha ouvido Seu Jair contar essa historia só que mais resumida!! Continue nos presenteando com suas histórias pois direta ou indiretamente nos ensina muita coisa!😚💖💞
ResponderExcluir