Como já contei, sábado era dia de faxina, eu havia crescido um
pouco, tinha vezes, que eu também entregava os lanches, as meninas recebiam a
bandeja com os lanches e também com a lista com os nomes de quem receberia o
lanche. Entreguei algumas vezes sempre deu certo, mas como tudo tem a primeira
vez, chegou a minha.
Tinha uma interna que se eu não me engano chamava-se Benedita, já
era moça feita, morena, devia ter dezessete ou dezoito anos, ela me perseguia
diariamente para eu levar doces, porque ela soube que meu nono era dono do Bar
Chic , eu dizia, que nem eu ganhava (meu nono não dava nem doces e nem tostão),
mas ela não acreditava.
Bem quando comecei entregar os lanches, apareceu ela Benedita na
minha frente, chegou, pegou dois lanches e saiu. Eu tremia, chegou a hora do
almoço a irmã responsável pergunta;
-Quero saber se alguém ficou sem o lanche? Uma aluna levantou o
braço era Dirce prima da Maria Trujillo, que por sinal era vizinha da tia
Antonia, foram confirmar a lista era de quem? quem? minha. A Irmã Maria de Neli,
chegou me pegou pelo braço levou-me arrastando lá na sala de bordados, que
ficava no porão, bem longe do refeitório, sentou-se, me colocou em seu colo,
levantou minha saia, e deu duas ou três chineladas com muito gosto, (o
refeitório era bem grande e o colégio também ).
Esse dia para mim ficou muito marcado, senti muita vergonha, todas
as internas me olhando eu sendo puxada pelo braço á força, chorei muito, muito
mesmo, quando voltei meu irmãozinho o Valdemar estava muito assustado.
Assim que entrei no refeitório, ele veio correndo e me deu á mão.
Só mais tarde eu percebi, que tão novinho tão pequeno, ele quis me dar uma
força para aquele momento.
Que triste! Essa Benedita que merecia umas belas palmadas!
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