ADOLESCÊNCIA e PRIMEIRO NAMORADO


A vida continua, o rio começa a ter uma corrente mais forte, as vezes até rodamoinhos.
Eu terminei a escola, voltei a ser dona de casa, lavar eu não lavava, mas fazia outros serviços, passar, etc, aos onze anos fiz curso de costura, na escola Inez Minelli, e também bordados, com as famosas Linhas Varicor era a moda, também fiz curso de cozinha, mas tudo bem meu pai já estava em casa saudável graças a Deus.
Após um ano nasceu um irmão, para mim um filho pois praticamente eu o criei, seu nome Edélcio quando ele chegou eu tinha doze anos.
O tempo passava, eu andei trabalhando em alguns lugares sempre muito brincalhona não parava nos empregos, salão de Beleza, loja A Vantajosa, Têxtil Elisabete, Imobiliária, então fiz curso de cabeleireira, tinha algumas freguesas mas, não cheguei abrir salão.
Cheguei aos quinze anos  me sentia a Tal, 1,71 m, manequim 44 (até hoje), bonitona, 56 cm cintura, meu apelido Gina.
Quem me colocou? Meu primo Edinelsom. porque? Tinha uma atriz muito famosa, Gina Lolobrigida, ( Atriz Italiana ).
Que saudades, tempo das anáguas e saiotes engomados, eu costurava quase todas as minhas roupas, para a anágua  eu fazia mingau de farinha de trigo bem ralo, colocava em uma bacia, passava a peça e colocava no varal para secar, demorava muito.
Os vestidos e saias de Godê Disco, (antes de costurar a roupa, eu colocava pela cintura presas com alfinetes na parede para pender), depois de cinco dias, tinha que cortar os bicos que apareciam, nessa parte entra mamãe, eu vestia ela acertava tirando os bicos, assim eu terminava a roupa. Esse tempo tinha muitas costureiras, e porque não  também modistas.
Tinham as lojas de tecidos, A Vantajosa, Casa Pontes e Casa Assunta. Não era como hoje que se encontra fácil roupas prontas.
Saudades desse tempo, quando se levantava cedo na janela , já o pão fresco, na porta o litro de leite  e ninguém mexia.
Tem pessoas que falam mal do tempo dos militares principalmente o PT, dizem, que supriam as liberdades individuais, eu discordo plenamente, falam do governo da época que era militarismo pois tenho saudades, tenho certeza que muitos brasileiros do meu tempo, estão me dando razão as pessoas assim como eu, curtíamos muito os bailes. No interior era baile ou cinema, mais o importante era a tranquilidade os bailes terminavam quatro horas, todos iam para suas casas, na santa paz, nunca se ouviu falar de assalto, de assassinato não existia violência.
Hoje estamos perdidos, sem proteção!
Voltando à minha Juventude, que não volta mais apenas as lembranças.   
Diziam-me: - Agora você é uma moça e comecei a namorar.
Ele se chamava Pedro, meu pai não falava nada, mas meu irmão, foram mais de dois anos de brigas por causa do namorado, eu ciumenta, ele tinha a minha idade e gostava de aproveitar sua juventude, eu presa todo o tempo, de namoro se encontrando no cinema, muitas vezes íamos em bailes mas sempre com um irmão por perto, só que esse irmão era bonzinho, era o Antônio.
Lembranças dos bailes a rigor, vestidos longos, os homens de smooking, como eram chic.      
As bebidas: Cuba libre; rum, coca cola e gelo ou HI-FI; vodca, soda, fatia de laranja e gelo, é saudades e saudades, se a gente toma hoje, não tem o mesmo sabor, e nem mesmo a mesma idade, aquilo era tão lindo, não esquecer que era o tempo do Rock.  
O Rock eu não curtia muito, me achava alta para dançar, mas gostava de assistir, achava bonito, mas o bolero eu adorava, danço sozinha aqui em casa, conversando com meu irmão Edélcio.
O tempo ia passando, meu irmão querendo que eu terminasse o namoro, porque ele era novo, dizia que eu ia levar toda vida, ( acho que era para casar)  eu não dava bola, era um namoro tão puro mas os hormônios da idade é que era o perigo.
Assim era o nosso namoro: encontrávamos na porta do cinema, ele comprava o ingresso, a pipoca ou chocolate e entravamos, assistíamos o filme, quando terminava a sessão, íamos para a Praça da Matriz ele ficava com os amigos eu com as amigas, era uma roda de homens e outra de mulheres, dando volta em sentido contrário. Essa era a hora do flerte da paquera, isso eram vinte uma e trinta horas, quando eram vinte uma e cinquenta e cinco minutos, meu irmão quando passava por mim, dava um baixo assovio era o sinal para ir embora, o meu namorado Pedro sabia e já estava me esperando ao lado.
Descíamos a Av. Tiradentes de mãos dadas, parávamos na ponte perto de casa, meu irmão passava falava boa noite para o Pedro e entrava em casa . Passava cinco minutos  saia na porta e outro assovio, eu me recolhia  quando entrava era só broncas, ele sabia quantos beijos eu tinha dado ou recebido.
Meu irmão tinha um amigo, alias tinha não tem  porque os dois estão vivos  Graças á Deus, esse amigo me seguia em todos os lugares, principalmente no cinema.
Assim, eu não tinha liberdade para amar. Ele dizia;
- Não tem vergonha, ficar se beijando no cinema?
- Mas onde vou beijar?
Hoje pergunto porque agia assim?
Ele responde: - Não me lembro, eu sempre achei o Pedro um bom rapaz, também boa pessoa.
Pedro sempre foi uma ótima pessoa, mas nunca contei das broncas que eu levava tinha medo que eles brigassem, o Pedro era um garoto e o meu irmão já era adulto.  
Eu e o Pedro brigávamos muito, ele bonitão charmoso, nas acho que já estava cansado desse namoro controlado,
Sempre dizia que eu era para casar.
Enfim, de uma briga tudo mudou...
Namoramos dois e meio.                   

Comentários

  1. Olá Bernadete!
    Obrigado pelo elogio, fico muito contente que você esteja me acompanhando,
    me deixa muito feliz.
    Bjos

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  2. Linda parece a cena de um filme romântico

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