A maioria dos jovens de São Roque estudava em Sorocaba, alguns
estudavam Direito, e outros Contabilidade, O Jair era um deles, formou-se
Contador, nessa época ele trabalhava no escritório contábil do saudoso Raul
Calfat, depois entrou no Banco Comercial, hoje Banco Itaú.
No Banco ele saia ás 18:00 horas, pegava o Cometa para Sorocaba. Me
contavam que na volta era aquela bagunça, por algumas vezes, também voltei no
mesmo horário, eu ia para sorocaba fazia compras, depois pegava um cinema para poder vir no mesmo horário, assim eu
chegava na agência de surpresa, mas na minha frente não acontecia o que me
contavam.
Nesse horário também vinham garotas, que também estudavam em
Sorocaba, as desconfianças pairavam no ar, será que eu era muito desconfiada,
eram coisas de minha cabeça ou seria muita falsidade.
Na correnteza do rio, vem as lembranças em minha cabeça, ele um
Gentleman, nos bailes da época, quando tocava musicas do saudoso Agostinho dos
Santos ele cantava nos meus ouvidos:
“Luz dos meus olhos desejo em flor
Tu mal conheces o que é amor
Na noite cálida vai deixar
A ansiedade em seu lugar
Se amanhã outro amor disser
Que te deseja reclama e quer
Mas mesmo assim estarei a te esperar
Que o desengano, faças voltar a mim”.
Mal sabia eu, que enquanto eu dormia ele freqüentava bailes em
Ibiúna, Sorocaba, Mairinque, não vou citar nomes de suas bailarinas, eu
conhecia algumas, inclusive tinha amizade,. (tudo isso eu soube muitos anos
depois)
E com essas musicas no meu ouvido ele foi me conquistando, assim
se passaram oito anos e meio, ás vezes eu ficava meio afogada, não sabia que
engolia sapos sem saber.
Logo que comecei o namoro, fiquei conhecendo minha futura sogra,
muito educada, boa, ficamos muito amigas.
Sempre tinha palavras para me elogiar.
Nesse tempo, além de eu trabalhar na Telesp eu cuidava da Nona, ela não aceitava que Mamãe
a desse banho e coloca-se suas vestes, talvez por vergonha, então eu assumi,
além das minhas ocupações eu fazia feira para dona Lurdes, ela já tinha idade,
e ás vezes eu fazia uma pequena faxina
quando ela estava sem auxiliar.
Eu acompanhei Dona Lurdes até os fins dos seus dias no hospital
Santa Inez. Faleceu de Derrame Cerebral.(AVC). Que Deus a tenha, estava com 62
anos.
O Jair ficou sem mãe, terminava os estudos, e foi morar com sua
irmã Daysi, mas agora precisava casar. Tínhamos comprado uma casa, era pequena,
estava alugada, faltava pouco para terminar de pagar, pedimos a casa ao
inquilino que compreendeu e logo desocupou. Agora, era dar uma arrumada, trocar
azulejos, pintura, assim o nosso cunhado chamado Manolo que era construtor nos
deu uma ajuda.
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