CASAMENTO


Marcamos o casamento para dali seis meses, seria para janeiro de 1963, essa época era junho de 1962. 
Casamento marcado dia 12, Civil e 13, Igreja.
No dia 1-01-1962, o Jair queria ir ao cemitério no túmulo da Dona Lurdes,  passamos na floricultura, compramos flores, e continuamos o caminho.      
O cemitério fica no alto, da minha casa até o cemitério é só subida, o caminho foi grande. Logo que chegamos ao túmulo, comecei sentir cólicas, quase não podia andar, não sabíamos o que fazer, pois no cemitério não tinha telefone, aliás tinha, mas ficava no SAAE que era ao lado, era feriado estava fechado.
O Jair não podia me deixar só para buscar auxilio, celular não existia, então vagarosamente, descemos a rua lateral, que chegava á casa da Lurdes espanholinha minha amiga, lá o Jair chamou um taxi. ( não sei como consegui chegar até lá, só por Deus mesmo )         
Cheguei em casa e estavam mamãe e tia Aneris, assim que cheguei desmaiei, Jair me carregou e colocou na cama, lembro-me como se fosse hoje, eu ouvia mamãe e tia Aneris me chamando lá longe, pareciam que elas estavam num buraco, não sei quantos minutos se passaram, voltei a mim. Em casa já tinha telefone, o Jair tentou falar com o Dr Henrique Nastri, ele estava em cirurgia, no momento não poderia vir, mas pediu para irmos até o hospital.    
Levantei-me, não podia endireitar o corpo, mamãe preparou um banho rápido, foi chamado outro taxi, e ele foi vagarosamente ao hospital, lá chegando já estavam me esperando, e me prepararam para ser examinada, quando o dr. chegou  não podia me  examinar pois tinha muita dor, nessa altura o Jair já estava com meus irmãos e mamãe, o doutor chegou e disse:                    
- Jair, eu acho que é Apêndice, não consegui examinar porque ela é virgem.
O Jair respondeu:   - Isso eu tenho certeza, pode fazer o que precisar.
Ele respondeu:    
- Eu vou opera-la assim mesmo.
Quando me levaram para o quarto, o Doutor foi e disse para enfermeira, não a force á nada, que já irá  para cirurgia não deu para examina-la  por que ela é virgem.
Então eu disse:
- Doutor Henrique, o sr esqueceu que eu sou solteira, vou me casar daqui á 12 dias.
Ele respondeu:
- Jacyra, você nem imagina quantas moças vem dar pontos para casar.
Voltando a cirurgia, saindo do quarto tinha uma pequena rampa para chegar a sala cirúrgica, não sei por que a enfermeira soltou a maca e pegou para não bater na parede, isso deu um balanço, quando o Doutor começou a incisão já estava tendo a segunda Hemorragia.
O que aconteceu foi o seguinte, eu tinha um grande cisto no ovário, e veio a estourar, como fui colocada na cama.  Formou um coagulo em cima, no abalo do carrinho soltou o coagulo e começou a segunda hemorragia.
Dr. Henrique deu 48 horas para saber se eu resistiria, havia perdido muito sangue.
Mas sempre tem alguma pessoa com mau pensamento, teve uma que disse que eu tive um aborto.     
Deus é testemunha dos meus Atos.
Assim começou a minha vida conjugal.       
Eu moça recatada, Sonhadora, não perdia um filme romântico, meu vestido de noiva era como eu sonhava, renda francesa forrado de tom rosa seco, (nesse tempo renda era só importada, no Brasil não industrializava), do ombro saia uma capa longa de três metros, o véu era de tule que era novidade da época, mais longo ainda, 5 metros. Agora eu na cama, fiquei cinco dias no hospital, mudar Jair não quis, seus irmãos não moravam em São Roque, então casamos.
Fui de chinelo para igreja, coloquei os sapatos na hora de entrar.  Nunca tinha visto  Igreja tão lotada com um casamento.
Casamos.
Ao lado da Igreja tinha “ Fotos Monteiro “.
Saimos da Igreja e fomos tirar fotos, como casal de noivos.
Voltamos para casa, caia uma chuva tão forte, parecia que o Céu chorava...
Em casa, teve uns salgadinhos, Bolo de Noiva, uma comemoração simples, não teve quem organizasse, teria que ser eu, mas não foi possível..
Os convidados logo iriam embora, o noivo também, não podíamos ter vida conjugal então eu continuei com mamãe e ele voltou morar com a Daysi.
Que tristeza, eu que sonhava sair em lua de mel, com o carro cheio de latinhas, fitas, também com chuva arroz para ser feliz.      
Como sempre tem uma tristeza para atrapalhar. 
Quase dois meses depois, tive que colocar o vestido de noiva e fui tirar novamente as fotos.
O Monteiro contou que quando fotografou, a maquina fotográfica estava tampada.       
É mole ou Quer Mais!     
Eu e o Jair parecemos dois vampiros, magros abatidos, não havia alegria de casamento  para, ainda  com maquiagem simples.
À minha licença da telefônica foram de 60 dias, estava para vencer, resolvemos viajar como não fomos na viagem nupcial, íamos nos hospedar no mesmo hotel em Caraguatatuba, Hotel Binoca, como ia ser só uma viagem, convidamos os amigos Cacilda e Aírton e junto á filha de dois anos, o Aírton hoje já é falecido.
Meu irmão soube e se ofereceu para nos levar até Caraguá, íamos de ônibus  agora ficou mais fácil, meu irmão minha cunhada Elenice, o sócio do meu irmão Gerson e Esposa, mais o Edélcio que ouviu falar de praia e também quis ir.     
Assim fomos todos, até que distrai um pouco, dei até risadas na viagem.       
Quando chegamos, no hotel tinha lugar para todos.      
Eles aproveitaram o final de semana e nós junto com Cacilda, Aírton e a filha, ficamos a semana toda.      
Quando voltamos ainda ficamos uns quinze dias em casa de Mamãe, assim nossa casa ficou pronta.



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