O SEGUNDO NAMORADO


Aos 17 anos para os 18 anos, eu estava fazendo estágio na Telesp. Atravessando a Praça da Matriz, quando vi um rapaz novo na cidade, quando passei por ele, me deu um olhar fulminante, porque não dizer desconcertante, estava com Antônio Nardeli, conversaram, sorriram e o que foi dito naquele momento, fui saber apenas muitos anos mais tarde.
Assim eu sempre cruzava com ele na Praça da Matriz quando eu ia para a Telefônica, quando voltava o olhar era insistente, (acho que era um flerte, eu não havia percebido). Comecei a conversar com o novato.
Chamava-se Jair, era quase três anos mais velho que eu.
Começamos a namorar em dia sete de setembro de 1955, o dia da Independência (será que seria a minha?)
Após as comemorações do dia, houve jogo de futebol de salão na quadra da Avenida Antonino Dias Bastos. Assisti ao jogo, e como estava sozinha, ele se aproximou e conversamos. E neste dia ele me convidou para ir ao cinema.
Veio me buscar em casa, pontualmente às 19 horas, o apresentei para mamãe e disse:
- Mãe este rapaz é novo na cidade, veio de Ibiúna, mas a senhora nem imagina quem são seus pais!
- A feição dele não me é estranha, mas não o conheço.
- Mãe, ele é filho do Sr. Sinhô da Ponte de Ibiúna.
Mamãe caiu das nuvens.
Quando mamãe era criança, o Sinhô vinha de Ibiúna a cavalo para ir para São Paulo, ele tinha cavalo no Jóquei, então parava no armazém do meu avô, escolhia entre as crianças, uma que levasse seu cavalo para soltar no pasto e pegar o outro.
Ele sempre escolhia mamãe, dava o cavalo para ela soltar no pasto, que era do outro lado do rio, que passava no quintal do Nono. Ela levava e trazia outro para ele ir para São Paulo. (Esse pasto atualmente é o Club “GREMIO UNIÃO SANROQUENSE”). Na volta ele fazia mesma coisa, escolhia mamãe dava o cavalo para soltar, e trazer o outro que havia deixado. E cada vez que fazia a troca, ele dava uma moeda de 400 reis e só ela ganhava.
Com essa conversa, ela abriu as portas do Céu, isto é, da casa.
Assim começou o nosso namoro, que durou oito anos e meio.
Jair era um gentleman, sempre muito atencioso com papai, mamãe, a nona que já morava conosco, e também com os meus irmãos.
Mas entre nós dois, eternamente muitas brigas, por que além de ser muito paquerado, era muito esportista, futebol de salão, de campo, não sei como não foi profissional era ótimo jogador. Uma vez saiu uma reportagem sobre ele, na Revista Seleção, dizendo que o chute dele era tão forte, que participando de um jogo no Campo do Paulistano, chutou a bola foi para cima e matou um passarinho que estava voando.
Eu ia tocando a vida. Tinha entrado na Telesp, (trabalhei 15 anos), meu irmão acho que nunca pensou que eu namorando um rapaz mais velho, iria demorar tanto tempo para casar, mas era o que ele queria, talvez eu fosse uma preocupação para ele.



Comentários

  1. Gostei muito, Jacira! Belas lembranças..

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  2. Seu Jair sempre gentil e sorridente, posso te fazer uma pergunta amiga, do que eles estavam conversando e rindo? Amei o texto como sempre! 😘❤

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