TEMPO DE OUTRORA


Hoje dia 15/08/2018, dia da Nossa Senhora da Assunção, viajei para São Roque para participar da Festa do nosso Padroeiro no dia 16/08/2018.
Foi complicado o começo da viagem, mas quando chegou o fim da tarde, agradeci a Deus que ele me fez passar uma tarde de surpresas - como eu gosto, falando de São Roque. Assim irei narrar como foi acontecendo, essa é a luz que recebo de Deus!
Em Campinas, tomei o ônibus para Sorocaba e durante a viagem fui relendo a cópia do meu primeiro livro, que brevemente seria registrado na Biblioteca Nacional, na cidade do Rio de Janeiro. Ao meu lado estava sentado um rapaz e quando estávamos no meio da viajem ele disse:
- Não vai dar tempo para senhora ler todo seu livro ainda está no meio, a senhora estuda?
- Você nem imagina o que eu estou lendo, é a História da minha vida.
- Nossa que bonito quantos anos a senhora têm?
- Em novembro farei 81 anos.
- Minha avó é mais nova e não sai de casa com medo de cair.
- Eu também tenho medo de cair, precisamos estar atentas, ter cuidado, andar olhando para o chão. As arvores são necessárias, mas deixam as calçadas irregulares e perigosas. Vou dar para você ler a primeira página do meu segundo livro que estou escrevendo, não repare que é um rascunho. 
Lendo meu rascunho ele me pergunta:
- Quem é o Jair?
- Meu falecido marido.
- Nossa! Como a senhora escreve bonito, emocionante.
- Já que você se emocionou, vou lhe permitir que leia a história da tia Antônia, abri a folha do livro que tinha em mãos e passei para suas mãos...
- Meu Deus!
- Dona Jacyra a sua escrita comove a gente, que bonito.
Mas nesse momento vimos que estávamos chegando ao fim desta viagem, em Sorocaba.
- Como é o nome do seu livro?
- “Diário de Uma Vida”
-  A senhora pode descer que eu desço com sua mala.
 Quando descemos ele disse:
 - Posso lhe pedir uma coisa?
- Sim.
- A senhora me coloca no seu livro, mas eu gostaria ainda que colocasse o que delicadamente a senhora permitiu-me ler a “História da tia Antônia”, e que a maneira que escreveu, me levou as lágrimas.
- Que bonita suas palavras, sabe o que é isso? É que você tem sentimento no seu coração, eu fico muito feliz de
encontrar pessoas com sentimento dentro da alma. Muito obrigado pelas suas palavras.
 Eu tinha pressa, pois não sabia os horários dos ônibus para São Roque, me despedi e sai.
- Dona Jacyra, dona jacyra, eu virei para trás.
- A senhora nem perguntou meu nome!! Eu me chamo Lucas.
- O meu filho me perdoe, idoso é assim muito afobado, mas eu não vou esquecer Lucas é o nome do meu neto.
- Amanhã mesmo irei procurar o seu livro.
- Calma Lucas procure daqui uns três meses quem sabe, eu não sei quanto tempo demora para editar o livro, mas você encontrará tenho certeza.
- Que Deus acompanhe a senhora.
- Amém.
Entrei na Rodoviária eram 14.00 horas, o próximo ônibus para São Roque era 16.30 horas tinha 2.30 h. de espera.

A procissão da Nossa Senhora da Assunção não daria mais para eu ver. Então resolvi pegar o ônibus circular para São Roque pois a demora era quase mesma, assim faria um Tour e estarei em S. Roque antes do outro ônibus. Entrarei na cidade de Alumínio, Mairinque, quantos anos eu não passo pela rodovia Raposo Tavares. Fui para o ponto, quem me visse pensaria que eu ia para Europa, hahaha, temos que levar na esportiva senão a vida para. Carregada com mala, sacola, outra sacola e a bolsa era muita coisa para minha idade e ainda com o celular em mãos, tentando falar com minha sobrinha Tina e também com a minha amiga Nirce onde iria me hospedar. O ponto estava lotado, graças a Deus alguém levantou e me deu o lugar, assim que sentei, tentei a ligação novamente estava aflita, foi quando um rapaz que estava do meu lado me disse;

- Estou vendo que a senhora não consegue falar no celular, deixa eu dar uma olhada, acabou a bateria eu vou colocar um pouco e ligou em uma peça que lembrava um sabonete eu não conhecia, mas logo chegou o ônibus os ele falou:
- Senhora, seu celular carregou um pouco, mas senhora desliga, e quando chegar seu destino, liga novamente dará para a senhora falar. 
Ônibus chegou, tinha muitas pessoas, fiquei preocupada para poder entrar, nem cheguei ao grupo que estava na porta, eu confio em Deus ele dará um jeito. Nisso abre a porta lateral por onde descem os passageiros, entrou uma senhora eu entrei atrás já com o RG nas mãos, o cobrador pegou a minha mala e perguntou se eu já tinha 60 anos, dei-lhe o RG e sentei, o ônibus estava vazio ainda com as portas fechadas, aí ele pegou a mala colocou atrás do motorista e me disse, que ali era o melhor lugar para mim, que tinha lugar para a mala, sentei e abriram a porta, lotou o ônibus.
Atrás de mim sentou-se um senhor, depois de uns 10 minutos comecei a sentir frio na nuca, ahh meu Deus, e agora o casaco e cachecol estavam na mala como que eu vou abrir a mala no ônibus, resolvi falar com o senhor:           
- Por favor o senhor pode fechar sua janela, ele me respondeu:
- Eu estou com a minha janela fechada, o vento vem do outro lado que a janela está toda aberta, nisso percebo que o cobrador estava me olhando, eu fiz gestos entendeu e fechou a janela. O senhor me pergunta:
- A senhora vai para São Roque?
- Sim, São Roque é o meu berço, lá que eu nasci.
- Eu trabalhei muito em São Roque, fui lanterninha do Cine Central.
- Que legal!
- Do senhor Nine?  Homem bom, por muitas vezes vi o senhor Nine olhando criança rodeando o carrinho de pipoca, ele mandava o pipoqueiro dar um saquinho com pipoca, e dizia para a criança entrar no matine e sentar lá na frente no chão porque as poltronas estavam ocupadas, e pedia não fazerem barulho.
Tinha também o telefone, mesmo com o cinema fechado o telefone ficava exposto para quem o precisasse, todas as pessoas o ocupavam. Naquele tempo não existia orelhão, mas vou lhe dizer uma coisa, trabalhei na telefônica e nunca atendi alguém que pedisse um interurbano, era o respeito, o telefone era 184, e as pessoas só pediam ligações locais, tempo bom...
- Mas o senhor Nine era bom até não mexerem com ele. Quando eu era ainda lanterninha, um dia tinha um cara fumando dentro do cinema, fui até ele e educadamente pedi que apagasse o cigarro, não apagou e ainda me maltratou com palavrões.  Fui até o senhor Nine e contei do fumante, ele pegou a lanterna de minha mão, seguiu até a fileira, acendeu a lanterna e clareando o piso para enxergar o toco do cigarro, pegou o cara pelo colarinho e arrastou até a cortina da saída e falou para o porteiro para que não deixasse o cara entrar no cinema por três semanas, e ainda mais, deu um chute no traseiro do fumante. Sabe senhora, também trabalhei no Cine São José a senhora conheceu o Zé coco?
- Sim.
- Morreu. O Valter, José, todos que trabalhavam na portaria do Cinema morreram.
- Meu Deus que tristeza!
Chegou em Mairinque o homem levanta e eu pergunto;
- E Renato que levava os filmes na agência do Cometa?
- Esse está vivo e a Iris também, converso sempre com ela.
- Diga a ela que a Jacyra mandou um grande abraço, ela vai lembrar quem eu sou.
Nisso ele desceu me desejou boa festa, e eu não perguntei seu nome...
Assim cheguei em São Roque, o celular que o moço carregou foi pouco mesmo, o suficiente gravou: - Cheguei, estou te esperando na Rodoviária!
Pela hora só tinha que ser a de São Roque hahaha. O cobrador mais uma vez gentilmente pegou minha mala e desceu os degraus eu lhe disse:
- Deus lhe pague, me respondeu...
- Amém!
Adorei fazer esse Tour, as cidades cresceram, a Raposo Tavares com 2 pistas, em cada lugar que paro, encontro pessoas boas que sem eu pedir me ajudam, Graças a Deus, Ele sabe como gosto de conversar e escrever, como sempre me dando a sua ajuda.
A minha amiga já me esperava, nos cumprimentamos e fomos para sua casa. Fui comentando que desde que saí e São Roque, se passaram 42 anos, e sempre que voltei, vinha pela Rodovia Castelo Branco, nunca mais passei pela Raposo Tavares.
- Nirce estou muito feliz, mas hoje não quero sair, amanhã iremos na festa, estou cansada.
No dia seguinte, dia 16 de agosto, logo cedo começo ouvir os rojões as 6.00 horas da manhã, eu pensei graças a Deus estou na festa que bom não mudou nada. Tudo como eu queria ver, só não ouvi a banda que nessa hora vai para a casa do Festeiro, levando o povo, muitos saindo do Baile, para degustarem da farta mesa com sucos, doces e salgados. Muitas dessas pessoas, depois de desfrutarem a farta mesa, nem voltam para suas casas, já ficam na rua revendo os desenhos e já começam o prazer de enfeitar as ruas para a procissão do nosso Padroeiro.
Agora, no dia tão esperado dia de São Roque, fomos para a praça já eram 11:00 horas, olhamos as ruas que já estavam sendo enfeitadas. Mas quando subi a Avenida Tiradentes, onde nasci e morei até me casar, as barracas mataram as minhas saudades de doces, assim como o quebra-queixo é bom demais; também tinha outros petiscos. Sabe amigos, eu me senti muito feliz, parecia uma menina, não sei nem dizer com quantos anos eu me senti, ainda revendo os amigos ora com grandes abraços, ora de longe às vezes até um aceno, o importante é ser reconhecida graças a Deus.
Fui visitar a Iris, quanta emoção dela e minha! Ficamos relembrando os velhos tempos, quando éramos jovens e que anualmente no dia 13 de junho íamos nós e muitas outras moças, no Santo António. A Iris puxava o terço, era muito bom, íamos a pé tudo isso para casar, não sei quantos quilômetros andávamos, fazíamos pique nique e voltávamos a tarde. Ela disse:
- E você casou... e eu não!
- Eu lhe respondi.
- Seu destino era outro....
Entre uma conversa e outra eu lhe falei que havia escrito um livro que se chama “Diário de Uma Vida” e assim que editado levá-lo-ia com dedicatória em sua casa. Ela me abraçou demoradamente e muito emocionada ...
Assim me despedi da minha amiga Iris...
Chegou o horário da procissão do nosso querido São Roque, que maravilha estava lindo como todos os anos, eu não aguento choro e choro muito, me emociono demais.
Tomara que no próximo ano, eu ainda esteja com ânimo e força, porque é Deus que me comanda, e ele está sempre presente ao meu lado.
- Obrigado meu Deus!

                                          Jacyra Moreshi Franco Carmello
                                                                                                                                     
 Campinas  Agosto 2018                                                                                        

Comentários

  1. Que delícia de passeio, quando plantamos sementes de amor e luz, nossa colheita é próspera, vc amiga é muito especial, por esse motivo recebe ajuda sem pedir! Bjs

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