Sabe, eu sempre trabalhei muito
na minha vida; hoje ainda faço algum
serviço, mas diferente do que sempre fiz, mais
leve, só meu banheiro e quarto; prefiro eu mesma fazer porque esta
sempre bagunçado, sempre tem muitas coisas em cima dos moveis , já o banheiro consigo
manter em ordem.
Na verdade gostaria de voltar
para minha última casa, pois embora não seja grande, os armários o são; enfim
não podemos ter tudo e aqui neste apartamento eu fiquei com a suite; pena que o
armário do quarto seja pequeno. Por outro lado é ótimo para ficarmos juntas, eu
e a chinica (a gata), nós nos entendemos muito.
É sobre ela e meus antigos cães
que vou falar hoje ( meus filhos).
Bem, vamos voltar no tempo, na
última casa em que morei em São Roque. Seria + ou – ano de 1.973. Antes deste
tempo tive muitos cachorros, mas vou falar do Lenin.
Lenin, era um cachorro da raça
policial também poderia ser capa preta. Seus pais eram da Policia Militar de
São Paulo.
Através de um vizinho amigo de um
policial, ganhamos o Lenin. Era um espetáculo desde que chegou, dócil, lindo,
carinhoso. Assim se passaram alguns anos, o Jair saia, bem cedo, todos os dias antes de ir para o banco para
dar uma volta com ele. Na rua sempre solto, as pessoas o conheciam e o
acariciavam sempre com muito mimo, mas houve um dia que soubemos que no dia
seguinte, ás 7:00hs a carrocinha ( um caminhão que prende os cachorros)
passaria. Então o Jair se antecipou e saiu bem mais cedo, quando ele já voltava
para casa, 6h35min, enxergou o laçador na calçada, infelizmente eles anteciparam
o horário. O Jair, identificando que ainda faltava 25 min para os homens iniciarem o serviço, começam discutir.
Chegou mais um laçador, eu escutei o barulho que vinha da rua, fui ver e estava
um rolo; Jair na calçada, quase aos socos, neste momento chegou um policial que
também acompanharia a prisão dos cães... Meu Deus do Céu!! O Lenin foi laçado,
um sacrifício para o colocarem no caminhão, que aflição, Jair explicava que
ainda não eram 7,00 hs, mas que pagaria a multa; mas eles não aceitaram e o
Lenin só seria solto as 16,00 hs, e assim o foi.
Quando ele chegou, estava muito
cansado, molhado de suor, com muita sede deitou e dormiu, eu passei um pano úmido
para aliviar seu cansaço, pois passou o dia todo no caminhão no meio de tantos
cães, devia ter brigado, levado mordidas, coitado, com sede e fome...
Quando acordou ele era outro, só andava atrás
de mim, parecia que não enxergava direito e eu tentei para que sentasse, mas
parecia que tinha dor no dorso e quando
forcei ele encostou a boca na minha mão, não mordeu, mas deixou sua baba na
minha mão...
O
Jair falou com o Sr Dolinho, o único veterinário da cidade, que quando
veio, contamos tudo que aconteceu e como ele estava. Sr Dolinho olhou bem, e
achou que tinha que sacrificar o Lenin.
Sr Dolinho trouxe uma arma e
mirou, foi um tiro certeiro o Lenin
estava de pé parado e caiu morto,
eu tive que assistir para ele não sair
do lugar. Foi muito triste uma choradeira, o veterinário disse que alguém teria
de levar a cabeça para o Instituto Adolfo Lutz ou Adolfo Lux para ser examinado.
Então a minha vizinha e amiga Ofélia se ofereceu de me levar, ela sabia o
endereço e assim fomos, quando cheguei
pegaram o pacote das minhas mãos e perguntaram se era cabeça de bezerro,
eles acharam muito grande.
No dia seguinte me telefonaram para
eu me apresentar no posto de saúde local ( de São Roque), quando lá cheguei
tive uma surpresa teria que receber 21 injeções na barriga, (em volta do umbigo)
não doeu nada, a dor era no coração a falta do Lenin.
Eu quero que vocês vejam como
mudaram as coisas. Hoje graças à Deus temos leis de proteção aos animais. Se
fosse hoje, essa barbaridade não teria ocorrido. As lembranças doem, mas se
fosse hoje haveria um grande processo judicial de falta de respeito!
Mas Deus sabendo como eu era,
logo após alguns dias me enviou a Dumba!
Assim coloquei o seu nome, mas
esta história ficará para próxima semana!
Beijos...
Oh que triste
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