PENSANDO NA MINHA VIDA Nº IV


Haviam colocado na garagem da casa da Jimena uma cadelinha bem nova, essa foi que chorou durante a noite, então logo cedo a Jimena veio em casa com uma cachorrinha linda, na mão do Lucas que diz:
-Olha vó Jacyra que linda, você fica com ela? Lá em casa já tem dois, e o nome dela será Godinha (ele queria dizer gordinha ).
...E o que eu não fazia e ainda faço pelos meus netos e pelos animais abandonados?   
 A Godinha chegou e começou sua história no seu novo “Lar”. Linda, seus pelos pareciam de seda e meio dourados, eu achava que ela devia ser mestiça com a raça Golden Retriever
Assim cresceu, quando saia na rua não tinha quem não a considerasse linda, dengosa. Um dia conheceu o vizinho que morava no prédio de frente a nossa casa. Era da raça Poodle, cor branca lindo, todo cheio de lero-lero ora gravatinha borboleta, ora gravata normal com nó, ora lençinho amarrado no pescoço, parecia  um pacote de pompom, bolinha nas pernas etc.                                       
Com tanta formusura.....Se apaixonaram. Não podia coloca-la na garagem que ele não estivesse na sacada do apartamento, era só latidos lá de cima e aqui de baixo. Sua dona não aguentava mais, pedindo sempre para eu deixa-los cruzar, e eu dizia que as raças eram muito diferentes, não tinha importância.... Eles se amam....Que fosse o que Deus quisesse!
Quando chegou no tempo certo...Aconteceu.
Ela dourada e ele todo branco, nasceram 11 filhotes de pelagem preta. Nos causou um susto,  nenhum branco, nenhum dourado!   
Será que ela tinha arranjado outro?
Jamais... enfim foi descoberto, os avós do poodle eram de pelagem preta.
Mas a última a nascer foi uma fêmea e era a menor de todos, fiquei com ela, o Lucas colocou o nome de Chirra!
Graças à Deus tudo corria bem, os filhotes sadios foram sendo doados, cada um com seu   quadrado de manta com o cheiro da mamãe.
Eu nessa época trabalhava numa ONG, que por telefone, auxiliava pessoas necessitadas de uma boa palavra de conforto, e logo o local do trabalho foi mudado lá para o bairro, e lá tinha um cão que vivia na rua, comia o que dava certo, dormia em um monte de areia de uma construção abandonada. Eu mesmo que não fosse dia do trabalho, ia levar comida para ele e o chamava de Filho ( isto é fio) queria traze-lo, mas o Jair dizia que nós já tínhamos duas fêmeas, não daria certo trazer um macho, também era muito trabalho. Eu respondia que não tinha importância o trabalho era meu.
Os dias passaram e em uma noite tão fria eu pensava no Fio, que estaria no monte de areia com esse frio, eu chorava.... Jair levantou e percebendo que eu chorava, me perguntou se era por causa do cachorro.
Eu disse : - Coitado, já pensou o frio que esta passando?
Por fim, ele disse que na amanhã seguinte iria comigo até lá para ver o cachorro.
E assim aconteceu, logo cedinho fomos, lá chegando ele não estava, perguntei para a vizinha e ela disse que ele estava por ali a uns três quarteirões abaixo, o Jair disse para chama-lo. E eu gritei: Fiooo!..Ele olhou para um lado, olhou para outro lado e olhou para cima, e veio que nem louco atravessou duas ruas sem parar e chegou até mim pulando de alegria, olhou para o Jair e ele disse para eu colocar o Fio no carro para irmos para casa,. Não precisou falar duas vezes, foi só abrir a porta ele entrou na maior felicidade do mundo!
Assim chegou que alegria! Para elas chegou um macho, para ele duas fêmeas, .mama mia, nunca brigaram, sempre se deram bem, quando alguma ficava no cio, eis o que eu fazia: Pegava um pano umedecia de vinagre de vinho, e colocava debaixo da porta, nenhum cachorro percebia,  assim tudo acabava bem!  Só que logo que chegou o Fio, eu castrei as duas a Godinha e a Chirra eu não, foram castradas na clinica.
A maior preocupação do Jair era o cão fazer xixi nos pneus, do carro na garagem, e isso nunca aconteceu!
Um dia o Fio estava na calçada, abri o portão para recolhe-lo ele estava na esquina chamei,chamei olhou veio devagar mas não entrou e olhou para a esquina. Que é que tinha na esquina? Fui ver!  Quando cheguei tinha uma cachorra preta que não levantava, agradei e nada, triste com o queixo encostado na calçada, só levantava os olhos. Fui em casa trouxe um pedaço de pão, piquei ela comeu, fui em casa novamente peguei um lençol, voltei , a envolvi no lençol, conversei, expliquei que ia cuidar dela. Todo o tempo que falei alisava sua cabeça, tentando passar um conforto, e o Fio junto.
Ufa, quase não consegui ergue-la, foi difícil. Fomos para casa e a coloquei atrás da porta do corredor, coloquei mais um pano e ali ela ficou por quatro dias. Quando eu a recolhi, fui até o veterinário e contei sobre ela, ele disse que eu tinha arriscado, pois não conhecia a cachorra e a carreguei-a. Ele me deu um remédio e orientou para colocar numa carne. Se ela  comesse , poderia ajudar a tirar a dor e teríamos que aguardar.
Depois de quatro dias se levantou, só que mancava, mas logo melhorou.  Agora a primeira coisa era castrar.Seu nome seria Luana! Eu sabia onde morava a Luana e fui lá falar com a dona, era de lá mesmo, mas discutimos e ela disse que a cachorra era dela mesmo, tinha a mãe e duas filhas, e que batia nela com o cabo de vassoura, para ver se iam embora. Ainda me disse que se a pegasse que poderia ficar com ela porque ela não queria nenhuma.
Falar o que para uma pessoa assim, o animal não era a Luana e sim a ex dona da Luana!
A Luana era um doce, sua mãe e irmã eu nunca soube onde foram parar ...  
O tempo vai passando e um dia eu sai com a Chirra e a Luana dar uma volta, era ali na praça e deixei o Fio na garagem, andei um pouco ouvi uma brecada de carro, era o Fio sendo atropelado a pessoa que atropelou  foi embora...meu Deus que tristeza.... uma judiação ele só olhava para mim, coloquei as cachorras para dentro, peguei um pano envolvi no Fio e fui no veterinário que era um quarteirão.
O veterinário o examinou e aconselhou para irmos para Campinas, porque ele devia estar com hemorragia interna, e Indaiatuba nessa época não tinha aparelho para o diagnóstico, o Jair já estava presente e fomos para Campinas, eu com ele deitado no banco com a cabeça no meu colo, o soro com remédios ia pingando injetado no seu braço, o frasco pendurado no teto do carro, nós com pressa para chegarmos  no endereço que nos  foi dado, e já estariam nos esperando ainda bem, porque era carnaval.
Quando chegamos já passou pelo aparelho e eu fiquei junto e comprovou a hemorragia tinha que ser operado, eles nos aconselharam voltar para Indaiatuba depois da cirurgia, ficaria intubado e em observação, pagamos tudo e agora era aguardar. Depois de umas horas avisaram que ele tinha falecido que teríamos de ir busca-lo ou pagar uma taxa para a prefeitura de (Campinas) retira-lo, e voltamos pagar a taxa e assim nos  despedimos do Fio.....
Eu nunca consegui entender como foi que ele passou pela grade do jardim, nunca tinha feito isso, o espaço de um ferro a outro era bastante estreito, se esforçou tanto para ir ao encontro da morte....
Foi descoberto que a Godinha estava  diabética e com começo de cegueira, o tratamento era bem rígido, difícil ela já estava com 9 anos, rápido ficou totalmente cega, e a diabete cada vez mais alta. O veterinário queria saber dos seu ancestrais, não sabíamos nada, nessa época o sangue da Godinha que era colhido para o exame ia para a cidade de Itú. Eles ficavam bobos com o alto grau da diabete que mesmo tomando os remédios toda vez que colhido, o resultado era cada vez mais alto; diziam que nunca tinham visto algo parecido. Enfim os conselhos recebidos tanto do veterinário de Indaiatuba e de Itu achavam de devia de sacrificar....
Mais uma  vida que termina em casa... é assim a vida, mas não é difícil lembra-los, porque são nossos amigos do coração, nunca os esqueceremos!
Mas eu andava muito triste, a Jimena havia me contado que seu marido havia comprado nova casa no Parque Ecológico, Explanada I.
Eu perdi o chão, e as crianças vinham todos os dias brincar com os cães, na verdade estavam crescendo, entraram no colégio Objetivo e logo se mudaram. Alguns dias se passaram e eu estava indo na padaria, quando vi na Praça da Liberdade uma cachorra toda preta, eu comentei com alguém da rua que ela era linda  e parecia perdida.
Uma pessoa na praça comentou que eu tinha razão, que ela era linda mesmo, mas segundo informações ela ia ser pega para ser solta na estrada..Pensei, mas ela seria atropelada....meu  Deus de novo?
Você já adivinhou, isso mesmo eu a trouxe para casa, seu nome Pantera. Mas eu continuava pensando. Nesse tempo também faleceram Titia Antonia (92 anos) e Mamãe (96 anos), e eu perguntei ao Jair se íamos vender esta casa.
...Mas esta história será para a próxima sexta-feira!
Até lá.

               Jacyra Moreschi Franco Carmello
                                                                                 Campinas 22/11/19

Comentários

  1. Gostei muito dessa historia verdadeira , emocionante e comovente , mais assim e a vida , as coisas acontecem naturalmente e a gente nem espera , nos pega de surpresa mais valeu

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