...ainda em 1973.
Eu continuo triste, mas enquanto
varro a calçada eis que aparece uma cachorrinha preta, já chegou abanando o
rabo e já me conquistou; assim que ela chegou, dei-lhe água, acariciei e
perguntei se tinha casa, lambeu minha mão, era como se estivesse pedindo a benção e eu a
abençoei mas ainda não a recolhi; entrei
e a deixei na calçada pedindo para que ela fosse para sua casa.
Assim foram algum dias, agora ela
ficava mais tempo em frente de casa, comecei dar comida e acabei recolhendo. A
Jimena, minha filha, chegou da escola, viu a cachorrinha, gostou e
disse: - Que bom agora ela fica no lugar do Lenin. Enquanto ela agradava
a cachorra que se deitou no tapete da porta com a barriga para cima, reparou
que as suas orelhas eram grandes e escolheu o nome Dumba, porque se lembrou do
filme do DUMBO!
Assim, sempre muito obediente ela
acostumou ficar na calçada enquanto eu varria, e um dia ali parou uma senhora que
eu conhecia de vista e falou para a Dumba: - Ahhhh, é aqui que você fica? Sua fujona
me deixou só em casa.
E eu assisti e disse: - A senhora
me desculpe, eu não sabia de onde ela veio , por várias vezes eu dei água a
ela, e se acostumou a parar aqui, mas se é sua a senhora pode levar ( essa pessoa
morava nos fundos da serraria do seu Quinzinho, que era de frente o começo da minha rua ) , então
ela me respondeu:
- De maneira nenhuma, era só ela seguir
a rua e estaria em casa, se ela ficou aqui é porque está melhor do que em casa.
Agradeço da senhora cuidar dela tão bem!
...Pena que não perguntei sua
idade, mas a Dumba já era adulta. Agora estava tudo certo, faz parte da
família!
Assim foi passando o tempo, percebemos que ela era
apaixonada pelo cachorro do peixeiro – um pequinês que morava no final da rua.
Num de seus cios ficou prenha (com cria), ela toda de pelos pretos e teve só uma
filha todinha branca, nós a chamamos de pacotinho de algodão, era uma graça!
Passados dois meses nós doamos o
pacotinho de algodão e foi bom porque veio a primeira transferência para o Jair, mudamos para Indaiatuba em 1.975
e a Dumba foi junto.
Depois de alguns anos, em uma
consulta ao veterinário soubemos que ela estava com problema cardíaco, começou
tomar remédio, passava bem e deixamos novamente
pegar cria, correu tudo normal ela teve
quatro filhotes, uma fêmea e três machos. Agora que nós temos nova moradora,
ficamos com a fêmea, colocamos o nome de Frufru, era idêntica a Dumba. O tempo
passou...vendemos a casa de São Roque e compramos outra em Indaiatuba; casa boa
e uma rua mais sossegada, mas um dia elas estavam passeando eu estava junto, veio
um carro e deu uma brecada perto delas e a Frufru se assustou e caiu, mas o
carro não encostou, não fez nada, a colocamos no carro e fomos direto ao
veterinário e quando chegamos já estava morta, morreu de susto. Ela também
sofria do coração e a gente não sabia. A Dumba já estava idosa com bastante pelos brancos e
com a perda da filha já não era mais a
mesma, agora estava diabética e com barriga d água e nós mandamos para veterinário fazer eutanásia ela
estava entrando em sofrimento....
Passaram-se dois meses veio nova
transferência para o Jair agora para Jundiaí. Lá não arrumei cachorro, mas me
apeguei as pombas, eram tantas que vinham comer na área aberta de pendurar roupas que era grande e em
cima do prédio onde eu morava. Lá eu comprava um saco de 60 quilos de
milho, dava para uma semana. Quando tive que mudar devido a nova transferência,
sai chorando. Várias delas tinham nomes porque eu os coloquei e atendiam quando
eu as chamava....
Assim passamos por Itú, Sorocaba,
Campinas e novamente mudamos agora com aposentadoria do Jair voltamos para
Indaiatuba. Meu Deus, quanto tempo que eu passei sem animal eu sentia falta,
sofria quando via um cão ou gato abandonado, todas as pessoas que me conheciam
sabiam disso!
Agora na nova casa em Indaiatuba
eu fui visitar meu irmão Edelcio,
conversando ele me conta que estava em uma quitanda e uma senhora comentou que
estava passando por uma rua, e viu um saco de lixo se mexendo. Foi até lá,
abriu, tinha uma cadelinha se batendo. Levou-a para sua casa, mas como criava
galinhas, o galo começou a machucar a cadelinha, gerando um problema e que ela
não sabia o que resolver. Enquanto Edelcio comentava a minha filha que também
ouvia a história perguntou se ele tinha o endereço, relutando ele falou que
tinha, e de imediato fomos busca-la....
Este é o próximo capítulo da nova
Frufru...
Até a próxima semana......
Beijos
Jacyra Moreschi Franco Carmello
Campinas 07/11/2019
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