PENSANDO UM POUCO NA MINHA VIDA Nº III


Com todo este abreviado de cidades em que passamos, o tempo passou e estamos em 1996.
Agora na nova casa em Indaiatuba, fui visitar  meu irmão Edelcio e conversando ele me conta que estava em uma quitanda e uma senhora comentou estar passando por uma rua, onde viu na calçada um saco de lixo se mexendo. Foi até lá, abriu, era uma cadelinha se batendo. Levou-a para sua casa, mas como criava galinhas o galo começou a machucar a cadelinha gerando um problema e que ela não sabia como resolver. Enquanto Edelcio comentava a minha filha que também ouvia a história perguntou se ele tinha o endereço, relutando ele falou que tinha, e de imediato fomos busca-la....
Ela era novinha ainda não tinha dois meses, mas já tinha passado por maus tratos, tão inocente...
Assim a adotamos, iria se chamar Frufru igual a última que tivemos. Era branca com malhas pretas e amarelas, parecia da raça Fox. Os meses foram passando, ela era de uma humildade sem igual, entendia tudo, mas nunca latia. Seria muda? Será que existe isso nos animais?    

Após o sétimo mês conosco latiu pela primeira vez; foi até engraçado, saiu todo rouco desafinado. Foi uma festa, até ela gostou, eu corria  dentro de casa mesmo, e ela ia atrás correndo e latindo ainda desafinado, mas até o fim do dia já estava latindo normal. Eu comecei a perceber que ela era uma cachorra especial, bem diferente.
Nessa casa nova, que era um sobrado bem grande, morei por 8 ou 9 anos. Mamãe também morava comigo e as vezes viajava para São Roque. Em uma das vezes que viajou, como sempre eu a levei de carro na Rodovia Aberto Santos Dumont para pegar o ônibus que vinha de Campinas para Itapetininga, passando por Sorocaba. Ajudei mamãe subir no ônibus e comentei com o motorista que quando ela chegasse em Sorocaba, meu irmão estaria a esperando para leva-la para São Roque. Agradeci sua atenção e desejei-lhes uma boa viajem.
Nessa época e a Rodovia Alberto Santos Dumont estava sendo duplicada e assim sendo, quando faço o contorno para voltara cidade, vejo dois gatinhos bem no meio da pista. Meu Deus, que coragem dessa gente soltar na pista animais tão pequeninos para serem atropelados. Era um lugar que eu não poderia parar, porque era curva no contorno e subida, mas se eu os deixasse poderia vir um carro e atropelar os bichinhos. Arrisquei e graças à Deus não veio nenhum, desci peguei os gatinhos e os coloquei no carro, fui para casa.
Lá chegando abri a garagem, entrei e a fechei, e a Frufru veio me encontrar. Peguei os gatinhos e quase que eles sobem na minha cabeça quando viram a cachorra,  assoprando que nem loucos, tão pequenininhos que deviam ter uns 15   dias de vida, mas já sabiam que o cão era seu inimigo.  Eu disse para a Frufru para ficar dentro do ninho dela, que eu tinha que entrar com os gatinhos, e com ela alí não seria possível. Ela vira e vai para o seu ninho, fica quieta só olhando. Eu entrei levei no seu ninho, um gatinho em cada mão e digo:
- Olha Frufru estes gatinhos não tem mãe e  nem casa então você tem que cuidar deles.
Até esta altura os gatinhos queriam sair da minha mão, mas a Frufru esticou o pescoço e cheirou um e cheirou outro, os gatinhos pararam, ficaram calados, eu achei que poderia coloca-los no ninho e assim eu fiz.
Era assim durante o dia, a  cama da Frufru ficava de baixo da escada que era  entre a sala e a cozinha, quando era hora de dormir era só pegar a cama , ela já subia a escada, não se esqueça que era sobrado. Agora, eu na cozinha sempre dando uma olhada e  os gatinhos ficaram quietos e dormiram.
É tudo por Deus! Não existe explicação!
Começou escurecer, eu nem acendi as luzes da sala, mas o Jair não sabia de nada, quando entrou e acendeu as luzes eu fui rápido não deu tempo de falar, e eis a surpresa ela estava amamentando os gatos, eu não sei o que aconteceu ela não tinha leite, eu acho que os gatinhos acharam os pequenos mamilos, (as  tetinhas) e começaram a sugar e desceu o leite. O amor que ela pegou com os gatinhos era demais, o dia todo ela passava carregando os felinos para a cama  pelo pescoço na parte de cima, ela não entendia que  gatos não param na cama somente para dormir.
Enfim foi um zunzum na cidade e o Jornal da cidade “O DEMOCRATA ou a ”A TRIBUNA “ (desculpem eu tinha o jornal mas em uma das minhas  mudanças sumiu) vieram em casa conhecer a história, tiraram fotos e na primeira página do jornal a manchete:
“ FRUFRU E SEUS DOIS GATINHOS”
Mas tinha mais, o jornal queria trazer a globo para mostrar o carinho da cadela com o gato, porque no Fantástico da semana  anterior,( da época ) foi mostrado uma reportagem de uma mãe que bateu tanto na mão do seu filho, porque ele havia quebrado um botão, não sei se era do rádio ou do aparelho de som e parece que ia ter de amputar...
O tempo passou os gatos cresceram e eram gatas, doei as duas. Bem depois a Frufru teve uma cria que  foi a única.
Mudamos de casa um lugar muito bom, e um dia percebi que a Frufru estava meia amuada, levei no veterinário examinou, examinou e não achou nada nem febre tinha, ele já conhecia sua história, então ele disse para aguardarmos até o dia seguinte, não podíamos dar remédio sem saber para que.
 Fomos para casa arrumei sua caminha, fiz um travesseirinho ajeitei sua cabeça no travesseiro me despedi com carinho de sempre, pedindo ao Santo São Roque que olhasse por ela e fui deitar.
De manhã antes de tudo fui ve-la e estava morta do jeitinho que deixei.
Me troquei e fui para o veterinário e ele falou: Que devia ser a falta de oxigênio de quando ela ficou dentro do saco de lixo, e completou dizendo não sei como ela viveu tanto....
Logo depois vendemos o nosso apartamento e compramos uma casa que ficava perto da Jimena. Quase vizinha e logo que mudei, uma noite teve uma choradeira de cachorrinho novo, eu fico louca porque as pessoas tratam os filhotes como adultos, eles choram querendo sua mãe, e o que fazem as novas famílias? Colocam em um banheiro fecham a porta e deixam chorar a noite toda, isso se não lhe dão uma ou mais chineladas. Cadê o amor?   
Vou ensinar para vocês o que fiz a vida toda: Antes da cadela dar cria, eu coloco uma parte de uma manta no ninho da mãe (a cadela), depois que nascem os filhotes corto em pedaços de uns quarenta centímetros + ou - , e cada filhote leva um pedaço da manta com o cheiro da sua mãe, posso te garantir que será mais fácil para eles dormirem, e a família também...
Haviam colocado na garagem da casa da Jimena uma cadelinha bem nova, essa foi que chorou de noite, então logo cedo a Jimena veio em casa com uma cachorrinha linda, na mão do Lucas que diz:
-Olha vó Jacyra que linda você fica com ela? Lá em casa já tem dois, e o nome dela será Godinha (ele queria dizer gordinha ). E o que eu não fazia e ainda faço pelos meus netos e pelos animais abandonados?    
Esta é uma nova história para a semana que vem!
Até a próxima sexta-feira!
Beijos...
                                       Jacyra Moreshi Franco Carmello
                                                                                                                      Campinas                                                                                                                                  14/11/2019

Comentários

  1. Parabéns por seu amor pelos animais, eles são de Deus e merecem nosso carinho..

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  2. Parabéns pela dedicação e afeto aos animais! Também fico indignado quando vejo os bichinhos abandonados e sofrendo maltratos.

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