PENSANDO UM POUCO NA MINHA VIDA Nº V


Alguns dias se passaram e eu estava indo na padaria, quando vi na Praça da Liberdade uma cachorra toda preta, eu comentei com alguém da rua que ela era linda  e parecia perdida.
Uma pessoa na praça comentou que eu tinha razão, que ela era linda mesmo, mas segundo informações ela ia ser pega para ser solta na estrada..Pensei, mas ela seria atropelada....meu  Deus de novo?
Você já adivinhou... isso mesmo, eu a trouxe para casa,coloquei o nome de Pantera. Devia ser mais ou menos no ano 2004, época que que vendemos a casa em que morávamos e compramos outra no Jardim Explanada I, numa rua paralela onde morava a Jimena.  Mudamos com as cachorras: Chirra, Luana e Pantera, a casa tinha bastante espaço, garagem grande, tudo corria bem na medida do possível.
Alguns anos depois Jimena se divorciou e eu pensei, meu Deus e agora? O Lucas terminou o Objetivo, iria continuar os estudos em São Paulo, a Ji iria mudar para Campinas  com a Laura junto, mas as suas cachorras Milly e Serena iriam ser doadas e separadas, como assim?
Elas eram irmãs da mesma cria e dormem juntas desde que nasceram, não gostaria que  elas se separassem, seria uma judiação. Bem você já adivinhou... eu as levei para morar comigo também.
Apesar da companhia doas cachorras, agora sem minha filha e meus netos, perdeu a graça morar lá, então, depois de um tempo resolvemos vender a casa, nesse ínterim a Chirra estava com câncer, uma tristeza ela sofria muito, os remédios já não faziam efeitos, quando ela chorava eu dava passes de Reiki, dormia nos meus braços eu a colocava em sua cama, começava chorar novamente, muito muito triste, não tinha melhoras, é difícil, mas a própria veterinária veio em casa  fazer Eutanásia e foi difícil...
A dor que sinto com a perda dos meus amigos só Deus que sabe, e sempre eu que fico para ver o fim, porque vou conversando e acalmando seu espirito para a viagem, logo estará curada e descansará eternamente...
Depois de um tempo conseguimos vender a casa, compramos outra na rua Onze de Junho enorme, mas tivemos que fazer uma reforma, e um dia o Jair foi ver o andamento da reforma e não se sentia bem, e me ligou,  eu estava numa consulta médica me falou o que estava acontecendo, pedi para ele passar me pegar, passou e quando chegamos, desligou o carro e  nesse momento ouço um miado muito forte de dor, chamei a Luana e pedi para ela procurar um gato. Como sempre eles entendem tudo que eu falo, ela cheirou um pneu, outro,outro e no quarto pneu escuto barulho de gato, pedi ajuda de uns meninos peguei um pano e conseguimos segura-lo pequeninho cabia na palma da minha mão, uma vizinha se ofereceu para ajudar pagar a metade do gasto para sacrifíca-lo. Bem mostra que não me conhece, tudo que Deus coloca no meu caminho eu levo para dentro, saiu sem um braço, queimado uma parte do pescoço e um lado da barriga.
Como eu já tinha dado remédio para o Jair, peguei o gato enrolei em um pano e fui para a veterinária e comentei que ela estava quieta e não miava, ela me disse:
- Jacyra é gata, tem só 15 dias que nasceu, é novinha de tudo, está em estado de choque por isso que não mia.
Meu Deus, ela cabia na palma da minha mão, pedi que a salvasse, fizesse o que pudesse, e assim ia acompanhando o tratamento.
A gatinha ficou 4 dias na clínica tomando soro com medicamentos, a veterinária  descolou  a pele da gata, cobriu onde foi queimado e também o toquinho do braço que sobrou. Tive que ensina-la a comer porque ela mamava mas uma coisa eu te digo, ela teve momentos tristes, mas hoje tem uma vida de rainha,  aprendeu a conviver com todas as cachorras, e desde que chegou dorme comigo, porque quando chegou precisava de vinte quatro horas de atenção, assim se acostumou. 
Aprendeu falar mamãe, ( ela fala nhanhãe) sei tudo que ela quer, já esta com 9 anos, aprendeu fazer gracinha, a gente pede para ela fazer graça e ela fica sentada parecendo um Suricato, me chama quando faz suas necessidades, porque ela não tem braço para cobrir o que fez...  
Mudei para a nova casa, no dia 11/06/ 2011, não esqueci a data porque é o nome da rua Onze de Junho; mudamos com Luana, Pantera, Milhi, Serena e Chinica a gata.
Lá ficamos 4 anos, mas também eu não era feliz, os netos no começo vinham nas férias, mas depois se formaram, começaram trabalhar em São Paulo e lá ficaram, vinham alguns finais de semana, enfim a casa ficou grande. Uma noite eu saí andar com a pantera, ela costumava sair com o Jair, mas ele estava muito doente e acamado, então eu que fui. Ela era uma criançona só queria brincar, quando voltamos e fui abrir o portão vi que a Luana estava ali na parte de dentro que fazer agora, resolvi soltar a Pantera da coleira, quando abrisse o portão eu entraria junto com a pantera para que  a Luana não saísse, mas quando a pantera se viu livre saiu andando,eu andando perto dela tentando fazer ela parar, e ela chega na esquina olha para mim e desce a calçada, é atropelada...
Um carro rebaixado, farol apagado ,meu Deus, meu Deus, ela era alta ficou presa debaixo do carro, eu gritando tinha vontade de pegar o motorista pelo pescoço, era 22 horas, como é que pode dirigir essa hora com o farol apagado, o motorista pedia perdão chorando, a rua se encheu de gente, tiveram que erguer o carro para tira-la de baixo. Olho o Jair que tinha levantado quando ouviu o barulho, disse para eu ir no carro do atropelador que ele iria atrás, a única clinica aberta era lá no Parque Ecológico, tive que coloca-la uma parte no meu colo, ela não cabia no banco, era um sábado de carnaval, mais um carnaval de ferir meu coração.
Chegamos, ela estava com  um braço quebrado e todas a costelas quebradas, o Jair chegou mas não aquentou ficar ali, muito fraco aceitou ir para casa, tinha uma conhecida na clinica e ela se ofereceu a me esperar e depois me acompanhar para casa. Só Deus para me dar força nesse momento!
Eu chorava e a Pantera deitada em uma mesa olhava para mim triste, acho que ela tinha dó de mim, não dava um gemido se quer, o veterinário disse:
 - O que a senhora resolve fazer?
- Eutanásia, é muito sofrimento para ela, o senhor viu meu marido? como que eu vou cuidar dos dois. Eu ali alisando sua cabeça e mais uma vez repetindo as mesmas palavras, ela muito quieta e vou falando, logo vai passar, você vai tomar uma injeção e dor passa...assim foi. Somente sai dali quando  tudo terminou minha amiga me esperava, já era 1 hora 3º min.
Cheguei em casa o Jair me esperava ainda acordado e me viu com a coleira nas mãos, você deixou ela internada...não..foi sacrificada!
Ele sentiu muito, chorou, e com muito sentimento  me disse: - Eu sei quanto foi difícil para você....                                                                                                                  
Mais uma vida que se encerra. Colocamos a casa a venda, levou alguns meses e nesse ínterim a  Luana ficou doente da perna, lembra-se que quando eu a encontrei que ela não andava, foi na perna machucada que ela teve câncer, também não foi fácil, por duas vezes o veterinário teve que rasgar a sua perna, mas por ela estar com idade  tomava remédios fortes, eu acho que o coração dela estaria fraco, mas o Jair chegou do serviço e foi -la, conversou com ela  voltou e comentou que achou que ela estava muito quieta, eu fui dar uma olhada pois um pouco antes eu estive lá, e ela tinha morrido esperou o Jair chegar e se despediu...     
Assim vendemos a casa, compramos uma casa bem menor, mudamos com Serena, Milly e Chinica. A vida seguia seu rumo, depois de um tempo a Serena ficou doente.....
Esta história será o último capítulo, na próxima sexta-feira!
Até lá  
                          Jacyra Moreschi Franco Carmello
                                                                                            Campinas 28/11/2019

Comentários