FOLHAS SOLTAS


Meu Deus!  Meu Deus!
Como o nosso Mundo, o Nosso Planeta que não é de ninguém, esta parado!  Rápido apenas as horas, o relógio não para, como o tempo corre!
Senhor, parece que voltamos no tempo em que a China cercou suas terras com altos muros, ou Muralhas. Hoje no mundo não há muros, mas cada Pais fechou suas divisas, divisas estas que o homem inventou...
È meu Deus, agora vendo a tristeza que estamos passando em todo o Planeta escrevo, e com lágrimas vou lembrando como comecei escrever ainda em “ Folhas Soltas”, guardadas em gavetas, falando da minha infância ...
Assim, lembro de quando meu pai adoeceu e ficou internado por alguns anos. Ficando sem papai, (éramos: mamãe, o menor que era Valdemar, eu que sou Jacyra, devia ter 5 anos,  Antonio, e Miguel) fomos morar com minha tia Antonia, era tempo de guerra. Na casa de titia  já tinha dois primos que ela criava, pois tinham ficado orfãos.
Eu e meu irmão Toninho, e mais os dois primos, Miguel e Antonio, levantávamos as quatro horas da manhã para ficar na fila do pão, que vinha de Osasco, trazido por uma carroça, pois como a farinha era importada e São Roque era uma cidade pequena, muitas padarias não conseguiam comprar a farinha e produzir o pão. E aí, o pão era pouco e formava fila, eu era a menor do grupo de primos e irmão, mas para fazer número na fila eu ia junto, eles vendiam um filão por pessoa.
O duro do momento é que em São Roque geava muito no inverno, as vezes dava um arrepio de frio, porque o chão ficava úmido pela geada que caia durante a noite. Embora estivéssemos bem agasalhados e calçados os pés não esquentavam. Resolvido o pão íamos para outra fila, agora do açougue, e lá eu ficava de lado , só eles entravam na fila, compravam o que dava certo, pelo menos eram três comprando, titia tinha que se virar com a comida, eram tempos árduos...
Quando chegávamos em casa, eu corria olhar no espelho para ver se o nariz estava vermelho do frio, parecia nariz de palhaço do circo ( inocência ), e eu comentava com a titia sobre o frio, que doia os pés e o nariz, e ela dizia:
- É minha filha, a vida tem épocas dolorosas, pense  quando eu era menina, sofremos tanto quando viemos da Espanha, pois aqui no Brasil ninguém falava e nem entendia o castelhano, e nem nós entendíamos a lingua portuguesa; viemos fugindo da guerra, abandonando casa, animais, tudo, tudo mesmo....
Dentre tantas lembranças de nossas convesar, vem a memória  a passagem de quando terminou o contrato da imigração, vieram para São Paulo com tantos sonhos, o começo de uma nova vida.... e chegada de uma tristeza maior – a Gripe espanhola.
Contava que todos nós ficaram doentes, para piorar faleceu sua Mãe (minha avó) e três irmãos, faleceram em dias diferentes. Dizia ela que eram tantas pessoas que faleciam que começaram enterrar em valas e assim eles foram enterrados, meu pai, que era seu avó, quase perdeu a cabeça de tanto desespero. Ficaram tão tristes, não sabiam o que fazer, foi quando ouviram falar da cidade de São Roque - uma cidade de vinhas, e assim mudaram-se para lá.
Eu cá com os meus botôes, estou a refletir que a gente tem que assistir as mudanças na vida, e as vezes com muita tristezas...
Meu Deus, depois de recordar a minha infância, relembrar as palavras da minha querida tia Antonia, e ficar sabendo que de tempos em tempos, temos que presenciar tantas tristezas como agora, no mundo todo,  eu vôs peço Senhor,  com muito respeito e carinho, para que nos ajude, não só o povo Brasileiro, e sim o Mundo todo. Que os Paises encontrem um remédio que nos curem...
Como sei que o Senhor me ouve, agradeço, e aguardo a sua decisão, com muita esperança no coração!
Obrigado meu DEUS !  

Jacyra Moreschi Franco Carmello
               Campinas !8 /03 /2020

Comentários

  1. O mundo todo precisa mesmo repensar seus conceitos.

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  2. O importante de tudo isso é que tudo passa e se tornam apenas lembranças (boas ou não tão boas).

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  3. Nossa viajo com vc nas histórias, voltei ao tempo

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