Acreditem
se quiser!
Hoje dia
20/03/2020
Ontem eu
coloquei no blog o texto 122, ( com o nome de Folhas Soltas) e hoje que é o dia
seguinte já estou escrevendo para colocar na próxima sexta-feira... ou mais
para frente um pouco.
Hoje
enquanto tomava café, depois de passar todos os meus “ Bom Dia “ que são
muitos, liguei a TV e estava começando um programa que iria entrevistar três
médicos.
Começa a
entrevista:
O
primeiro Dr. comenta como é difícil curar as pessoas, e o pior é que as vezes a
gente não vê a melhora, e difícil também é ter que se afastar, ficar longe da
familia, ( nesse momento ele quer segurar o choro) e continua dizendo que eu aguentava
a saudade da netinha, que já estava há quarenta dias sem vê-la!
Que lindo!
Expor seus sentimentos, suas emoções, e eu? choro junto com ele, aproveitando o
engasgo do Dr, começa o segundo Dr dizendo que endossava tudo que o colega dizia
a respeito dos doentes, e também da familia, que tinha uma filha casada que
mora no exterior, que foi visita-la já estava no fim da sua gravidez, e assim
chegou no momento do primeiro neto vir ao mundo, e que alegria poder carrega-lo, só que depois de dois dias era hora de
voltar, e assim ao retornar começou esse horror do “‘ Covid -19 “tirando o sossego
do mundo.
Eu já estava
chorando novamente, nem esperei ele terminar, e nem o terceiro Dr falar,
desliguei a TV.
Terminado
o café, tirando as coisas da mesa escuto barulho de serra, é uma coisa que me
deixa nervosa, cada vez que ouço eu já fico triste sempre pensando que estão
cortando árvores, e as vezes estão cortando grama, mas sai na janela e ví que
estavam cortando os galhos da jaqueira, uma árvore bem alta e frondosa, que tem
no predio da frente a minha janela que fica em outra rua, nesse momento chega a
Chinica, que quando não esta dormindo fica na janela olhando a rua lá em baixo,
( nas janelas tem telas) também estamos sempre vendo os pássaros que ficam em
cima do telhado de uma casa grande que tem entre o prédio que moro, a rua e
prédio que está sendo feito a poda.
Na rua
tinha, dois caminhões grandes e em um dos caminhões, tinha como um guindaste,
como um elevador suspenso com dois homens, que iam serrando e jogando na
calçada, cada galho que cortavam, pareciam serem meus braços, me doiam,
começaram de cima mas deixaram o broto da árvore, eu pensei que bom ela
continuará viva, nesse momento os pássaros voavam por cima da casa
desesperados, com a minha companheira na janela, eu dizia:
- Chinica
do céu, (eu já chorando) olha o desepero dos pássaros, acho que devia ter
filhotes ainda no ninho, os homens nem ligam, os pássaros voando quase chegam
na árvore, que dó, que dó, que dó, sabe Chinica
eles estão voando assim, porque no meio dos galhos caidos na calçada, devem ter
filhotes, ovinhos, meu Deus que cena triste. A árvore parecia um poste de luz, agora
sem nenhum galho só com o broto na ponta, alto quase passando o terceiro
andar...
Passei a
mão na Chinica fechei a janela.
Passado
um tempo escuto serra, agora acho que vão cortar o chapéu de praia, mas não,
eles cortavam os galhos para colocarem nos caminhões. Depois de horas,
novamente o barulho da serra, sai na janela a calçada estava coberta de jacas,
pequenas, grandes, outras rachadas ao meio, eram muitas, que judiação, nisso eu
vejo que enquanto dois homens varrem amontoando as frutas, outros dois homens
já estão começando a cortar o Pé de jaca rente a calçada, cada um com uma serra,
vindo do lado de fora para dentro, meu Deus vão cortar o tronco, agora acabou.
Fiquei
tempo falando com Deus, rezando, rezando, rezando... A maquina tinha agora dois
braços segurando o poste lá em cima, e foi descendo vagarosamente, os homens da
calçada ajudando e conseguiram deitar o tronco inteiro, longo, na calçada, como
um corpo inerte sem vida. Parecia um poste de inergia elétrica, que chegou ao
fim..
Com muita
dor no meu coração eu falo para Chinica:
- Sabe
ninguém pensa que um dia poderá não ter mais frutas, as cidades crescem, as
pessoas aumentam, quem tem terreno grande, um dia poderá ter que dividi-lo com
mais pessoa... serão tempos difícies..... Quando eu era menina, ia no matinê do
Cine Central aos domingos, tinha filme do tarzam, da Nioca, e estava começando
a era dos foguetes, a Era Espacial, diziam que iam para Marte, para a Lua, tudo
era inacreditável, seria incrível, e eu pensava; como que eles vão comer? Lá no
ar, isto é no espaço, sem fogão, sem um galinheiro com galinha, sem um rio ou
mar para pescar, sem padaria para comprar o pão, e nesses pensamentos, nessa
indagação sai escrito na tela, The End ( fim), eu com tanta preocupação esqueci
que era seriado, só no próximo domingo. Ahhh que raiva! Chegava o domingo, que
ansiedade, comprar pipoca antes de entrar, comer toda a pipoca antes de começar
o filme, e assim começa, sabe o que eles comem? Cápsulas, isso que os
astronautas comiam.
Será que
eu vou viver bastante? Seria bom!
Não terá
cozinha para arrumar, nem panelas para lavar, ter que acender o fogo ( fogão de
lenha)
Eu acho
que será melhor para viver, mais folgado!
Pois é Chinica...
os anos passaram.... já sou idosa ( 82 anos) e continuo arrumando a cozinha...
Mas a
minha gratidão por estar ainda estar aqui, ao nosso Pai Onipotente, que esteja
sempre ao nosso lado nos protegendo.
Jacyra
Moreschi Franco Carmello
Campinas 21/ 03 /2020
Nossa, que lindo e delicado..quanto sentimento...muito bom
ResponderExcluirObrigado Vânia, sentimental sou muito mesmo, quando vem as lembranças em minha mente vou escrevendo, e quando leio eu choro!
ResponderExcluirPode isso?
Bjos!