Quem
diria que eu iria narrar um dia, sobre mandorová?
Vizinha
de casa tinha uma pensão, e quem lá morava era Dona Alzira e Sr Irineu seu
marido.
Eles
deveriam ter + ou - de 60 á 70 anos, a casa era bem grande, mas era como uma chácara
com uma parte grande de terra, com muitas frutas.
Existia um muro não muito alto que cercava toda a casa
do lado da Avenida Tiiradentes. Da ponte até a casa deles, eram vizinhos da
minha casa.
Para
vocês se situarem, é o lugar da mesma rua e rio do último texto, colocado a
semana passada.
A casa da
pensão era bem comprida, Na entrada tinha um jardim, em seguida a casa que ia
até perto
do rio, então da sua cozinha e da sala de jantar, as janelas dava para o
quintal de
casa...
Beirando
o rio no meu quintal, tinha laranjeira, amoreira, a descida para entrar no rio,
e
Bananeiras.
Lá era o
canto que eu morria de medo!
Quando eu
queria subir no outro pé de amoreira, do outro lado do quintal, eu tinha medo
de
mandorová
porque ficava perto das bananeiras.
Antes de
subir na árvore, eu ia na bananeira, olhava, olhava, se tivesse alguma folha
seca eu
puxava com toda força até a ponta chegar ao chão, e corria.....
Dona
Alzira, já na janela: - Cuidado Jacyra...eles podem pular em você...fica longe.
Eu ficava
toda arrepiada, com medo, com a vassoura em mãos tentando pegar todos
pois eram
muitos, para joga-los no rio.
Jacyra
dona Inis não esta aí?
( Inis
era mamãe, só que se chamava Adelia, mas todos á chamavam de Dona Ina )
E o
diálogo continuava:
- Preciso
falar com Dona Inis, você é criança e não sabe do perigo!
- Mas
Dona Alzira devem ter muito mais, não sei o que fazer, mas não entendo o que a
Senhora
quer dizer?
- Jacyra
esses bichos podem vir de noite na sua cama, eu já ouvi muitos casos assim. A
moça não percebe do mandarová na cama, mas com o passar do tempo ela engorda e
da cria de um monte de mandorová!
- Credo
dona Alzira, estou com mais medo agora.
- Eles
são horríveis, com a cabeça cheia de chifres, e a cauda tem que nem uma
tesoura!
Gente
imagine minha cabeça como ficava com essas conversas.
Dona
Alzira não teve filhos, mas com a idade que tinha, será possível que ela
acreditava
que fosse
verdade isso?
Assim era
esse tempo meus amigos, se era á noite, só tinha história de medo...
Alma
perdida, mula sem cabeça , saci perere, lobisomem...
Voltando
ao mandorová, eu achava que seria nome antigo, mas de coqueiros, bananeiras
e
videiras que são verdes, chama mandruvás, e tem venenos.
Todas são
da família das lagartas, só que eu nunca soube se eles tem a transformação
da metamorfose, nunca ví borboleta no meio das
bananeiras.
Eu puxava
folhas secas, quando ela descola do tronco, vai caindo no chão.
E quando
a folha está verde, eles ficam junto com o nervo da folha, quase ninguém
encherga,
sómente quem tem prática!
Já
conheci muitos tipos de lagartas, já socorri muitas.
Em uma
das últimas casas que morei, tinha uma árvore na calçada de um vizinho.
Dava uma
fruta bonita e sempre tinha muitas lagartas, o casal que lá morava...
um
derrubava com a vasoura e outro pisava esmagando, eu ficava louca, eles
diziam
alto:
- Vamos
matar, borboleta não serve para nada mesmo!
Eu na
minha calçada salvava as que atravessavam a rua. Assim eu cuidei de cinco lagartas. Cada uma
em uma caixa de papelão. Em outra rua paralela a minha tinha um pé de amora, eu
ia pegar uns galhos e fui as alimentando, quatro deram certo, mas uma não
conseguiu voar, suas asas pareciam que jogaram óleo quente, eram encolhidas.
Eu não
sabia o que fazer, meu marido dizia; - Viu você quer salvar o mundo, agora não
sabe o que fazer.....continuei alimentando....depois de uns dias, de manhã a
caixa estava
mexida,
dentro tinha uma sujeira como um líquido...mas ela não estava...
Bem
amigos, esta história que era do Mandarová virou até história das borboletas, a
minha cabeça adora lembrar histórias!.
Desculpe
mas é difícil para eu parar!
Gratidão
ao meu ” Deus Pai e Mãe”
Por eu
ter Saúde, e Cabeça com Boa Memória!
Jacyra Moresqui Franco
Carmello
Campínas 15 / 06 /2020
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