A paineira
é uma árvore frondosa, que quem conhece ou conheceu tem saudades.
Não
existe quem, um dia, conheceu uma paineira, e não guardou aquela
recordação
de correr atrás de um pelotinho de algodão, entre tantos que o vento leva...e....
..vai
longe...ora sobe... ora desce...as vezes formando ondas no ar...e as crianças
atrás.
O nome
verdadeiro é paina, mas a pronúncia é pãina, e é um conjunto de fibras sedosas,
semelhantes às do algodão, e o interessante é, que dentro do pelote ele leva
sua semente.
E nessa
lembrança, me volto ao passado.
Antigamente..me
lembro quando pequena, eu devia ter uns seis anos e mamãe pegava
um copo,
embrulhava com papel que vinha das compras da venda, e também a parte
embrulhava chocolate em pó e açúcar, dizendo: - vai direitinho não brinque,
cuidado com
o copo, e
o chocolate com açúcar, também outra coisa, segura firme o dinheiro!
Hum...que
delicia... eu tão pequena e sozinha atravessava a cidade.
Da
Avenida Tiradentes eu ia a pé e, era lá do lado da estação ferroviária
“
Sorocabana”.
Se não
estou enganada a rua chamava-se, rua do gado, nossa! Agora que eu estou
entendendo,
era a rua do gado, porque já era o começo da pastagem do gado, hahaha...
Mas, chegando
tinha... a porteira com paineira, entrando.. já a casa grande, ao lado a vaca
amarrada
comendo capim, e agora entrar na fila fazer o pagamento, o leite ordenhado
na hora direto no copo...hum ..com aquela espuma...meu
Deus!
Que
delicia... a gente degustava.. e ficava por ali brincando um pouco, as meninas
subiam
na porteira,
e os meninos empurravam...para lá...para cá...para lá..para cá...quando
terminava
a fila e que todas as crianças já haviam tomado seu leite, o leiteiro perguntava,
quem queria
mais.
Agora
fila de novo...e gratuito..só leite...o chocolate e o açúcar já tinha acabado, agora
sem
ter o que
diluir, era só encher o copo e virar na boca, era uma farra muitos risos,
porque ficávamos com bigode branco, e virávamos velhos...( hoje idosos)
Quanta
inocência..os meninos falavam... que.. as meninas estavam com bigode de velhos.
Aquele
tempo o ” Papai Noel ” não era conhecido...ou não existia...”.
Tempo
este....1942..ou ..1943..acho que não deveria ter muitos carros, e sim mais
charretes.
Também
não tinha bandidos...as crianças brincavam na rua sem algum perigo.
Sabe
amigos, morar no interior tinha suas vantagens, as pessoas se conheciam.
Quase todas
as famílias tinham no quintal seu canteiro com flores, hortaliças,
legumes
etc.
Para as
outras compras tínhamos caderneta, tudo era anotado para pagar no fim do mês.
Mas nunca
eu e muitas crianças, tivemos coragem de pegar a caderneta e ir na venda
comprar um
doce escondido.O respeito pelos pais era muito grande!
E respeito
também com avós, tios, irmãos, até vizinhos a gente respeitava...
“Gratidão
meu “Deus”
“Por tudo
que narrei hoje, com muita saudades...
Meu
Coração chora, pelo tempo que passou que eu não percebi passar!!!
Aqui
estou Senhor!
Quero que
saibas, que pretendo escrever até o dia que o Senhor me chamar...
Gratidão
Gratidão gratidão!
Jacyra Moreschi Franco
Campinas 26
/02/2021
Nossa amiga, que lindo, essa estória me trouxe recordações da painera onde brincávamos de balanço e de pega pega e claro saíamos de lá cada um com seu pelote de paina, também tomávamos leite no curral uma vez por semana, nossa quantas memórias essa estória me fez reviver, muito obrigada amiga por compartilhar conosco sua estórias! Você tem o dom da escrita! Bjs
ResponderExcluirMuito lindo e singelo.
ResponderExcluirUm dos textos mais lindos, voltei ao tempo e conseguia enxergar os fatos Como se os tivesse vivido.
ResponderExcluirParabéns, querida prima, e obrigada por compartilhar conosco sua vida, principalmente essa tão doce e linda...