O meu
mês!
Em novembro de 1937...aqui cheguei...eu era
apenas uma semente!
O que eu vou comentar hoje, é interessante,
muitos de vocês nem imaginam como era quando o bebê chegava, e suas vestes.
Quando chegou o meu último irmão Edelcio eu
tinha 12 anos e estava em casa , a parteira
era Nha Vita ( ela serviu mamãe em todos os filhos que mamãe teve,
era muito carinhosa, falava baixo e com
muita paciência ) com muita curiosidade
eu seguia os pedidos da Nha Vita sem estar presente no recinto, mas assim que o
bebê chorou ela me chamou para levar àgua bem morna, quase para quente já
colocada em uma bacia. Me ensinou que colocando a costa da mão na bacia,
identificavamos a quentura certa, ensinou também a pegar umas toalhas ..minha
mãe quieta só observando e descansando.
Até que o
bebê nasce com gordura em seu corpo, limpa-se bem devagar um pouco com um pano
o corpinho, agora já água da bacia com a minha
mão esquerda na nuca, o bumbum dentro da água na bacia, e a direita
passa sobre o sabonete e em seguida em seu corpo, só a mão não o sabonete, para
limpar o restante da substância gordurosa, tomando cuidado com o parte do
umbigo (que já foi cortado) .
Um detalhe, eu acho que nesse dia eu passei a
ser a segunda mãe do Edelcio, que ele mesmo cresceu dizendo que tinha duas Mães
!
Coloco na toalha, enrrolo no corpo e com
outra toalha vou enxugando todas as ruguinhas, as mãos, os bracinhos, as
perninhas o pescoço e com outro pano bem macio enxugo a cabeça com todo o
carinho possível, com cuidado por causa da moleira, o bebê ainda não tem
completa ossificação!
Depois de um talco bem cheiroso, hum que delicia, primeiro uma camiseta cavadinha, como um colete, por cima outra com manga comprida, faixa do umbigo, da uma volta e se ele for chorão coloca-se uma moeda em cima do umbigo para não virar para fora, e continua enrrolar a faixa até o fim e dar o laço!
Agora a fralda, ( comprava-se na loja por
metro tinha que cortar e fazer bainha em casa) em seguida o cuero (também
comprava-se em loja em metros, era franela um lado era costurado que ia sobre a barriguinha, os outros três lados a
gente caprichava no crochê) enrrola no corpinho do bebê e dobra nas pontas dos
pés!
Depois coloca-se a faixa larga, segurando, o
corpo, fralda e o cuero. O bebê fica durinho para carregar, esqueci do último
que é o cobertor, que segurava os dois bracinhos e o resto do corpo!
Eu creio que quando cheguei, foi feito tudo igual
comigo!
Assim eu era uma pequena semente, que só
sabia abrir a boca para me alimentar, é assim mesmo igual um pássaro que quando
sua mãe trás o alimento ele já abre a boca para saciar
sua fome.
Para eu não chorar, a minha mãe esfrega os
mamilos do seu seio em meus lábios, sem saber nada da vida que está se
iniciando para mim, abro a boca e começo a me alimentar, como que
eu sei
que tenho que fazer força para sugar o leite que está chegando?
Como é interessante a criação Divina, nos
mostra a igualdade da sobrevivência da vida?
O pássaro nasce sem as penas, peladinho
igual á nós, sua mãe fica cobrindo-o com o seu corpo enquanto, o seu pai vai em
busca do seu alimento!
Bem amigos as roupas dos bebês antigos da
minha época, posso garantir que a gente vivia amarrado, assim crescia preso,
antes com as roupas e depois com as ordens da casa!
Hoje os bebês crescem soltos, sem faixa a
no umbigo, sem a faixa larga na barriga, e sem o cobertor segurando os braços!
Assim que nascem, depois do banho já vestem
macacão e crescem livres!
Sabem, que enquanto eu escrevia o último
texto que é o Barco , eu tenho aqui em minha mesa junto com o computador uma
foto do Edelcio, e de repente sem vento e sem balanço a foto vira e cai,
estranhei, comecei conversar com ele, que gostaria de vê-lo, mas já fará no
próximo mês dezembro fará 29 anos que ele partiu, talvez ele já esteja por aqui
novamente numa nova vida, só Deus pode saber!
Esta noite perdi o sono pensando muito nele,
e resolvi escrever...era 2:03 horas ,escrevi até 4:15 horas. Vou continuar
fazer assim é o que sempre fiz, perco o sono pego o caderno e escrevo o que
vier na minha mente!
Gratidão para os que me acompanham Espíritualmente
enquanto escrevo: -
“ As Memórias da minha vida “
Gratidão ao Deus Pai e Mãe !
Jacyra
Moreschi Franco
Campínas O1 / 11/ 2021
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