PAPAI E A SEPARAÇÃO


Papai continuava no sanatório, todos os domingos era dia de visita, mamãe como sempre não faltava, eu ia junto para ver papai, e também viajar de trem.          
Meu pai estava sempre nos esperando, quando chegávamos me beijava na testa, e abraçava mamãe, ficavam conversando de mãos dadas, eu brincava com uns cálices que caiam das árvores, acho que eram eucaliptos, poderia ser também peãozinho.  Passávamos à tarde toda. Mamãe namorava, lembro que às vezes se abraçavam.         
Quando saíamos para voltar, mamãe saia triste e quando subíamos no trem ela chorava, eu não entendia mas alguns anos depois eu soube que, quando meu pai foi para o sanatório conheceu alguém, então pediu permissão para ter uma relação com essa pessoa e o dia que ele saísse do sanatório aquilo acabaria, tudo isso porque não poderia ter relações com mamãe e ela...aceitou.
O tempo passava, ás vezes mamãe levava Valdemar também (agora ele havia crescido um pouco), mas eu brigava com ele para ficar na janela, só que a janela não poderia abrir, porque o nariz ficava preto, o trem era movido a carvão ou a lenha.

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